Brasil tem ativo ambiental que não pode se tornar um problema, diz CEO da Cosan

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
29 de novembro de 2020 às 00:31 | Atualizado 29 de novembro de 2020 às 09:23


O CEO do grupo Cosan, Luis Henrique Guimarães, disse ao CNN Líderes que o Brasil é dono de um ativo ambiental importante com a Amazônia e que essa questão não pode virar um problema. O desmatamento da floresta tem sido muito criticado internacionalmente e o país vem perdendo investimentos por causa disso.

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“O Brasil tem uma oportunidade histórica de ser uma potência verde desse novo mundo. Não podemos perder essa chance”, diz Guimarães, que comanda um conglomerado que nasceu como produtor de açúcar e etanol, mas hoje é dono de Raízen (combustíveis), Comgás (gás natural) e Rumo (transporte ferroviário).

Para o executivo, um pequeno grupo de pessoas é responsável pelo desmatamento e acaba prejudicando a fama do país lá fora. Ele compara a situação com a sonegação de impostos, que também não é rara entre as empresas, porém traz um prejuízo importante ao país.

“Temos que sair da disputa de quem está certo na questão ambiental – governo, ONGs ou empresários – e resolver o problema. Além de punir quem age errado”, completou.

Guimarães acredita que o pior impacto da pandemia do coronavírus nos negócios da Cosan ficou para trás e ressalta a forte recuperação da geração de caixa das empresas do conglomerado no terceiro trimestre. Ele afirmou ainda que a flexibilidade das medidas de isolamento e o auxílio emergencial oferecido pelo governo turbinaram o consumo.

O executivo reconhece, no entanto, que existe um risco de uma segunda onda da epidemia no país. Ele afirma que é possível combater a doença com “disciplina” e “protocolos sanitários” rígidos sem paralisar a atividade econômica. “O que não dá é para deixar de ter disciplina como temos vistos nos bares à noite”.

Guimarães admite que a Cosan cogita adquirir as refinarias que devem ser vendidas em breve pela Petrobras, mas que só fechará negócio se fizer sentido econômico. Também ressalta que continua planejando abrir o capital das diferentes empresas do grupo, mas sem “pressão”, porque não precisa dos recursos.

“Gostamos do modelo de dar ao investidor a opção de investir no ramo de negócio que mais lhe interessa”, diz. Recentemente a empresa cancelou o IPO da Compass,  porque avaliou que os preços oferecidos pelas ações não estavam atrativos. A Compass inclui os negócios de gás natural, incluindo a Comgás.