Estados ampliam restrições para tentar conter aumento de casos de Covid-19

Até esta terça-feira (1º), São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul já anunciaram regressão de fase em algumas de suas cidades

Daniel Fernandes, da CNN, em São Paulo
01 de dezembro de 2020 às 17:42 | Atualizado 01 de dezembro de 2020 às 18:27
Movimento em rua comercial de São Paulo durante pandemia da Covid-19
Medidas tentam diminuir a concentração e movimentação do público
Foto: Amanda Perobelli/Reuters (15.jul.2020)

Em meio aos números crescentes de casos de coronavírus no Brasil, autoridades de Saúde, governadores e prefeitos de capitais brasileiras têm adotado medidas mais restritivas para tentar frear os números da pandemia no Brasil, em um movimento semelhante ao ocorrido em países europeus, que enfrentam uma segunda onda da doença.

Nesta terça-feira (1º), um dia após o alerta da Secretaria de Saúde do Distrito Federal sobre o risco de uma segunda onda de coronavírus, o governador Ibaneis Rocha (MDB) assinou um decreto que restringe o horário de funcionamento de bares e restaurantes na capital federal. Com isso, esses estabelecimentos terão que encerrar suas atividades até as 23h.

Também nesta terça, o governo do Rio Grande do Sul classificou com a cor vermelha (risco alto de contágio) 19 das 21 regiões do estado e adotou uma série de restrições para frear o contágio devido à proximidade das festas de fim do ano. Apenas as regiões de Cachoeira do Sul e Guaíba foram colocadas como laranja (risco médio). 

Entre as restrições adotadas estão a suspensão temporária do sistema de gestão compartilhada — em que prefeitos podiam adotar medidas mais brandas do que as estabelecidas pelo governo quanto ao funcionamento do comércio — além da suspensão de eventos e festas de fim de ano, inclusive em condomínios, assim como a limitação do funcionamento de bares e restaurantes, com aumento da fiscalização em locais abertos.

Conforme o decreto estadual, o comércio poderá operar somente até as 20h. Já os restaurantes, lancheiras e bares ficarão abertos até as 22h, com clientes sentados, distanciamento de dois metros entre uma mesa e outra e sem música ao vivo. Os estabelecimentos que trabalham com delivery terão de encerrar as atividades até 23h.

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O governo também vedou a permanência de público em locais abertos onde não há controle, como parques e praias, estando liberado o uso desses espaços apenas para atividade física. O decreto também veda eventos sociais, como casamentos e formaturas, e uso de áreas comuns, como piscinas e salões de festa. Teatros, cinemas e casas de shows em espaços fechados voltarão a ser proibidos de funcionar. O Estado também recomenda que as reuniões familiares tenham um limite máximo de 10 pessoas, excluídas as crianças de até 14 anos.

Apesar de ainda não ter oficialmente anunciado ações mais drásticas no combate à pandemia, o governo do Paraná afirmou nesta terça-feira em nota que produzirá “dois novos instrumentos jurídicos para ajudar a conter a alta disseminação do vírus verificada nos últimos dias”.

Segundo o comunicado, uma das ações será a restrição de horário para circulação de pessoas no período noturno. A outra recomendará a retomada das atividades de trabalho remoto de servidores estaduais. As novas regras deverão ser publicadas até quarta-feira (2).

Em São Paulo, um dia após a definição da eleição na capital paulista, o governador João Doria (PSDB) colocou todo o estado na fase amarela devido ao aumento do número de pessoas que contraíram o novo coronavírus. 

Agora na fase amarela, salões de beleza, bares, restaurantes, academias, parques e atividades culturais (com público sentado) podem continuar abertos, mas com restrições. Esses estabelecimentos comerciais, incluindo comércio de rua, shoppings centers, academias e prestadores de serviço poderão funcionar por 10 horas (na fase verde, eram 12 horas). 

Outro setor que pode ser impacto é do das atividades culturais, que só são autorizados pelo governo a partir da fase verde (4). Caso não haja uma mudança nos critérios, teatros, museus, bibliotecas e cinemas podem ser forçados a interromperem suas atividades.

Especialistas fazem alerta

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) emitiram documentos em que recomendam com urgência o retorno do isolamento social nas regiões do país com casos de novo coronavírus novamente em alta. Os cientistas argumentam que o Brasil vive um aumento acelerado de contaminados sem sequer acabar a primeira onda.

O grupo argumenta que como ainda não há disponibilidade de uma vacina para a maioria da população e um tratamento específico para a doença, as medidas restritivas são o principal meio de controle. À CNN, o infectologista Roberto Medronho, diretor-médico do Núcleo de Saúde Coletiva da UFRJ, ressaltou que é um equívoco as autoridades descartarem a possibilidade de um lockdown.

“Nós estamos vivendo o pior dos dois mundos, não terminamos a primeira onda e já temos casos aumentando novamente. Nós não teremos vacina a tempo de travar esse aumento, e mesmo que tenhamos vacina aprovada, ainda teremos que conviver todo o ano de 2021 com a doença, pois o trabalho para se distribuir e aplicar milhões de doses da vacina não será feito em alguns meses”,  disse o infectologista. 

Na última segunda-feira, 30 de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu ao Brasil que leve "muito a sério" os números crescentes de casos de coronavírus, uma tendência que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descreveu como "muito, muito preocupante".

(Com informações da Agência Estado)