Interpretação, leitura e literatura: pontos-chave para a prova do ENEM

O objetivo do exame é verificar se os estudantes demonstram habilidades além do domínio de conteúdos

Rodrigo Maia, da CNN, em São Paulo
21 de dezembro de 2020 às 19:44
Tela de entrada do aplicativo do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem
Tela de entrada do aplicativo do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem: como se preparar para a prova em meio à pandemia?
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil (28.mai.2020)

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) requer do estudante atenção, preparo e repertório para entender os enunciados das questões, em especial as chamadas “situações-problema”.

O objetivo do exame é verificar se os estudantes demonstram habilidades além do domínio de conteúdos. É preciso saber como aplicar o aprendizado em situações práticas e problemas do dia a dia.

Por essa razão, os enunciados são compostos por: textos jornalísticos, obras literárias, tirinhas, pinturas, poemas, letras de música, contos e imagens.

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O ENEM requer dos estudantes análise, interpretação e aplicação dos recursos expressivos das linguagens. Será verificado se o candidato consegue relacionar textos com seus contextos, de acordo com as condições de produção e recepção.

Em linhas gerais, o exame vai cobrar do aluno a capacidade de estabelecer relações entre o conteúdo, o autor e o contexto social e político, sem esquecer da presença de valores humanos e sociais. Essa ideia vale muito, também, para a prova de Literatura.

De acordo com Rudney Soares, professor de Literatura no Colégio Parthenon e Doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP, “mais do que decorar biografias de autores e características de suas obras, é preciso compreender o que motivou a escrita de determinadas obras e em que medida elas revelam o espírito do tempo, as marcas ideológicas e os contextos social, histórico e político.”

Segundo Rudney, a prova do ENEM não cobra uma lista específica de livros como fazem FUVEST e UNICAMP. No entanto, alguns autores são sempre lembrados: Camões, Drummond, Manuel Bandeira, Machado de Assis, Vinicius de Moraes, José de Alencar, Clarice Lispector e Guimarães Rosa. 

Já em relação às escolas literárias, o professor dá uma dica importante. As escolas que mais caem no exame são: Classicismo, Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo e Modernismo.

Faltam poucas semanas para a prova. Então, se você ainda não conseguiu ler muitas obras, a recomendação de Rudney é: “selecione as principais de cada período, leia o máximo de obras que puder e, caso não consiga ler todas que selecionou, leia boas resenhas sobre elas.”

Quanto às figuras de linguagem, fiquem atentos à:

Sinestesia, que ocorre quando há o uso de sensações de diferentes órgãos do sentido em uma expressão, como é o caso, por exemplo, dos sentidos audição, visão, tato, paladar e olfato. Exemplo: A sensação do azul do céu e do cheiro da tarde acariciavam minha alma

Hipérbole, que é utilizada para passar uma ideia de intensidade por meio do uso de expressões exageradas intencionalmente. Exemplo: Nesta noite, vamos congelar de tanto frio!

Ironia, que é usada para apresentar algo por meio de expressões que remetem, de forma proposital, ao oposto do que se quis dizer. É comum um tom cômico ou debochado ou até sarcástico. Exemplo: Nossa, que bom que o elevador quebrou. Agora, tenho que subir apenas 18 andares de escada. 

Com essas dicas, fica evidente que, mais do que decorar textos, o estudante precisa relacionar conceitos a uma aplicação prática. De nada adiantar o candidato saber nomes e datas se ele não sabe resolver um problema, ou seja, se não sabe buscar uma solução prática para uma situação desafiadora que envolve o contexto de determinado conteúdo.

O ENEM não quer saber apenas que você sabe, além de tudo, quer saber se você sabe aplicar o conhecimento que adquiriu ao longo do tempo.