MPM pede prisão de 8 militares envolvidos em morte de músico no RJ

Promotores também pediram a condenação deles pela morte do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
15 de fevereiro de 2021 às 18:37 | Atualizado 15 de fevereiro de 2021 às 19:38

O Ministério Público Militar pediu a prisão de oito dos 12 militares do Exército acusados de terem disparado mais de 200 tiros contra o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, assassinado em abril de 2019 em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro

Os promotores também pediram a condenação deles pela morte do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo - que tentou ajudar Evaldo enquanto era alvo dos tiros dos militares - e por tentativa de homicídio contra o sogro de Evaldo, atingido de raspão. 

Não há prova na investigação de que outros quatro militares, também réus no caso, tenham efetuado disparos e, por isso, o MPM pediu que eles sejam absolvidos.

Evaldo e Luciana, em foto de arquivo pessoal
Evaldo e Luciana, em foto de arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

“Os acusados definitivamente, por prova segura e inconteste dos autos não estavam em situação de legítima defesa. Os militares apertaram os gatilhos de seus fuzis sem previamente certificarem-se de quem eram as pessoas à sua frente. E o fizeram - que fique claro - porque desejavam executar as pessoas que estavam dentro do veículo, acreditando que ali se encontravam os criminosos com quem haviam trocado disparos anteriormente”, diz trecho da manifestação do MPM no processo, feita no dia 2 de fevereiro e obtida com exclusividade pela CNN.

No dia 7 de abril de 2019, um domingo, Evaldo era o motorista do carro que levava a esposa, Luciana Nogueira, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga para um chá de bebê. Na altura de Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro, o veículo foi alvo dos fuzis e das pistolas dos militares, que acharam se tratar de um assaltante.

Evaldo e Luciano, que tentou ajudar o músico, morreram na hora. Laudo feito à época do crime mostrou que foram pelo menos 257 disparos efetuados contra o carro. Nas alegações finais, o MPM afirma ter comprovado 82 tiros, mas deixa claro que houve dificuldade para comprovar quantos tiros exatamente cada militar envolvido na ação disparou. Evaldo levou oito tiros nas costas.

“Assim agindo, mataram, com 82 disparos (!!!), um músico que estava desfalecido dentro de seu carro e cuja esposa e filho de 7 anos tinham acabado de sair correndo para pedir ajuda, feriram um idoso e feriram mortalmente um catador de recicláveis que apenas se aproximou do veículo para prestar ajuda atendendo aos gritos de socorro da esposa de um homem inconsciente”, diz trecho da manifestação do MPM.

O MPM pediu que o grupo de militares seja absolvido por omissão de socorro. No processo ficou claro, para o MPM, que foi pedida ajuda à Polícia Militar pelos militares após o carro de Evaldo ser fuzilado. Os promotores pediram, ainda, que o tenente que comandava o grupo de militares tenha maior pena, por ter sido quem deu mais tiros e por ter estimulado os seus comandados.

A CNN entrou em contato com a defesa dos acusados e aguarda resposta.