Presidente do IBGE pede demissão do órgão

Guerra pediu exoneração do Instituto por motivos pessoais e de família

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
26 de março de 2021 às 17:45 | Atualizado 26 de março de 2021 às 18:12

A presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Susana Cordeiro Guerra, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira. Guerra pediu exoneração do órgão por motivos pessoais e de família.

De acordo com uma nota publicada no site do IBGE, Susana continuará no cargo até a transição para o novo presidente, que ainda será indicado.

O pedido de demissão acontece um dia após o Senado Federal aprovar, em sessão do Congresso Nacional, o texto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 que prevê cortes no Censo Demográfico e destina um quinto do orçamento da União ao Ministério da Defesa.

O levantamento, que acontece a cada 10 anos, passou de 2020 para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus. 

O último Censo foi realizado em 2010, o que gera uma defasagem nos dados demográficos utilizados para definir os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), por exemplo.

Segundo o IBGE, cerca de R$ 251 bilhões transferidos pela União a Estados e Municípios, em 2019, se deu graças aos dados da população levantados pelo Censo. Além disso, a pesquisa permite a identificação dos públicos-alvos de políticas públicas e programas sociais, como Bolsa Família. 

Em carta aberta, ex-presidentes do IBGE fizeram um apelo aos parlamentares para que reconsiderem o valor destinado à pesquisa. 

“Nosso último censo ocorreu em 2010, e, sem ele, o Brasil se junta ao Haiti, Afeganistão, Congo, Líbia e outros estados falidos ou em guerra que estão há mais de 11 anos sem informação estatística adequada para apoiar suas políticas econômicas e sociais”, diz a carta assinada por Simon Schwartzman e Edmar Bacha, entre outros ex-presidentes do Instituto. 

Além da questão financeira, servidores do órgão em oito estados pressionaram as chefias estaduais e a direção do Instituto pelo adiamento do Censo Demográfico, previsto para esse ano. Diante do agravamento da pandemia do novo coronavírus no país, os trabalhadores defendem que o levantamento seja transferido para 2022.

Foto: Fábio Motta/Estadão