Comércio, bares e restaurantes criticam prorrogação de restrições no Rio

Para a Fecomércio-RJ, ações de enfrentamento ao coronavírus deveriam ser 'mais racionais'

Ana Lícia Soares, da CNN, no Rio de Janeiro
02 de abril de 2021 às 19:57
Comércio do Rio
A prefeitura do Rio de Janeiro prorrogou medidas restritivas até o dia 8 de abril
Foto: Cleber Rodrigues/CNN

Entidades de classe ligadas ao setor de comércio, bares e restaurantes criticam a prorrogação das medidas restritivas adotadas pela Prefeitura do Rio para conter o avanço da Covid-19 na capital. O assessor da presidência da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio), Marcelo Novaes, disse em entrevista à CNN que o setor “não pode ser o vilão” e que as medidas de enfrentamento deveriam ser “mais racionais”.

“A Fecomércio não é contra as medidas de enfrentamento. Acontece que as decisões tomadas são sempre restrições para o comércio. Se houvesse medidas, como houve no ano passado, que permitiam a suspensão do contrato do trabalho com auxílio para os empregados, redução de jornada, auxílio emergencial, linhas de crédito para o pagamento de folhas, aí, seriam medidas mais racionais. O comércio não pode ser o vilão”, afirmou.    

A Prefeitura do Rio de Janeiro prorrogou as medidas até a próxima quinta-feira (8). Até lá, apenas serviços essenciais, como mercados, farmácias e padarias poderão funcionar. A informação já havia sido adiantada na quinta-feira pelo analista da CNN Fernando Molica. 

As novas medidas de flexibilização entrarão em vigor entre os dias nove e 19 de abril, quando bares, lanchonetes, restaurantes e quiosques da orla poderão voltar a receber clientes presencialmente. O consumo no interior dos estabelecimentos, no entanto, só será permitido para pessoas sentadas às mesas até 21h. 

Os setores de serviços poderão voltar a receber clientes das 12h às 21h. Já o comércio funcionará das 10h às 18h. Marcelo Novaes pede que as autoridades olhem atentamente para os lojistas que atuam dentro de shopping centers. 

“A gente vê um problema aí. A gente entende o poder público, mas a gente entende que as empresas que estão estabelecidas em shoppings deveriam seguir o horário do shopping, já que pagam para funcionar das 10h às 22h. O custo é alto”, apela. 

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Pedro Hermeto, participou da reunião da prefeitura com o comitê científico, que aconteceu nesta quinta-feira, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul. Para ele, Eduardo Paes já chegou ao encontro com uma opinião formada.

“A impressão que a gente tem é que o prefeito já chegou com uma decisão tomada. No final do dia já tinha tudo pronto. Na medida em que ele convoca a reunião e pede desculpas, dá a entender que vai ter uma flexibilização, mas nos surpreende com uma decisão de fechamento. O delivery só é efetivo para as empresas que trabalham assim desde o início. Agora, achar que ele vai suprir qualquer necessidade de caixa, é um total desconhecimento do setor”, criticou. 

Pedro Hermeto também defende que a abertura seja feita gradual. “Se você deixa para reabrir tudo na sexta é evidente que vai ter uma enxurrada de gente nos bares e restaurantes. É melhor fazer isso antes para ir diluindo. Se mantem a demanda reprimida até sexta, fica difícil para eles próprios conterem”, conclui. 

Na capital, também continuarão suspensos eventos, boates, feiras especiais, prática de atividades coletivas, seminários, entrada na cidade do Rio de Janeiro de veículos fretados de outros municípios e a permanência em parques e cachoeiras.

Segundo o diretor-presidente da Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento (Apresente Rio), Pedro Guimarães, o setor entende as medidas de enfrentamento, mas defende a liberação de pequenos eventos.

“Com relação as medidas proferidas hoje, a gente entende que pequenos eventos poderiam estar incluídos, como eventos sociais. Casamentos, bodas e aniversários, por exemplo, podem ser realizados sem a pista de dança”, avaliou.

Presidente da Orla Rio, que reúne donos de quiosques nas praias cariocas, João Marcello Barreto diz que o segmento entende a necessidade das medidas e comemora a flexibilização marcada para começar na próxima sexta-feira (9). No entanto, pontua que não adianta liberar quiosques sem permitir que os motoristas estacionem na orla. 

“Pedimos também que a prefeitura libere o estacionamento de carros na orla pelo menos em algum horário”, reivindicou. 

A permanência de banhistas e o comércio ambulante nas areias das praias seguem proibidos até o 19 de abril. O estacionamento na orla só está liberado para moradores e hóspedes de hotéis localizados na região. O decreto também proíbe a permanência nas ruas da cidade entre 23h e 5h.