Pediatra questionou mãe de Henry sobre causa da morte

Mensagens recuperadas pela polícia mostram que a médica pediu à Monique acesso ao conteúdo do laudo de necropsia e afirmou que o menino “era saudável”

Pauline Almeida e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
18 de abril de 2021 às 10:17 | Atualizado 18 de abril de 2021 às 16:05

 

Um diálogo recuperado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no celular de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, mostra que uma prima pediatra a procurou para tentar entender como a criança morreu. 

Nas mensagens (confira na íntegra abaixo), a médica fala “queria saber pois ele era tão bem cuidado. Eu não consigo imaginar o que pode ter acontecido.”

A pediatra é a mesma com quem Monique Medeiros trocou mensagens no dia 18 de fevereiro, seis dias após um suposto episódio de agressão do vereador Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), o Dr. Jairinho, a Henry.

Na data, Monique relatou à prima: “Henry está com medo excessivo de tudo, tem um medo intenso de perder os avós, está tendo um sofrimento significativo e prejuízos importantes nas relações sociais, influenciando no rendimento escolar e na dinâmica familiar. Disse até que queria que eu fosse pro céu pra morar com meus pais em Bangu. Quando vê o Jairinho ele chega a vomitar e tremer.”

A nova conversa recuperada pela Polícia Civil aconteceu 20 dias depois, em 10 de março. Em mensagem enviada a Monique às 18h59, a prima questiona se saiu o novo laudo. Ela se refere ao laudo complementar da necropsia feito no corpo de Henry, que apontou laceração no fígado e hemorragia interna.

Um minuto depois, Monique responde: “Jairinho disse que saiu um bem detalhado que foi direto pra delegacia. Não sabemos o que está descrito”. 

A médica então afirma que gostaria de saber o conteúdo do laudo, pois Henry “era tão bem cuidado” e não consegue imaginar o que teria acontecido. Monique responde: “Estou até agora sem entender por que isso foi acontecer com meu menino”.

Seis dias depois, Monique envia mensagem para a prima e diz: “Prima, me ajuda a entender. Consegui agora. Ele chegou morto prima?” A médica, então, responde que sim: “foi feito tudo é (sic) não voltou em nenhum momento”. 

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Foto: Reprodução/Instagram

Cerca de 12 horas depois, a pediatra pergunta à mãe de Henry se o advogado conseguiu acesso ao laudo. Monique confirma que sim e que a causa da morte foi hemorragia.

A médica responde: “Quando você puder e se puder me manda a foto pois eu gostaria de entender também o que aconteceu já que eu acompanhava ele e sei que era saudável”, afirma às 22h57 do dia 16 de março.

O diálogo consta no inquérito policial da 16ª Delegacia da Barra da Tijuca, em que Monique Medeiros e o vereador Dr. Jairinho são investigados por homicídio duplamente qualificado. 

A mãe de Henry abandonou a defesa conjunta com o namorado e os novos advogados pedem à polícia que ela preste um segundo depoimento. No primeiro, ela negou qualquer problema de relacionamento entre o filho e companheiro.

Troca de mensagens

10/03/2021
Renata: 
Saiu o novo laudo?
18:59 

Monique: 
Prima, Jairinho disse que saiu um bem detalhado que foi direto pra delegacia.
Não sabemos o que está escrito
19:00 

Renata: 
Vc não viu?
19:00 

Monique: 
Não. Ninguém viu
19:01 

Renata: 
Queria saber pois ele era tão bem cuidado
Eu não consigo imaginar o que pode ter acontecido
19:01 

Monique: 
Estou até agora sem entender por que isso foi acontecer com meu menino
19:02 

16/03/2021

Monique: 
Prima, me ajuda a entender
Consegui agora
Ele chegou morto prima?
10:06 

Renata: 
Sim
Foi feito de tudo é não voltou em nenhum momento
10:20

Renata: 
O advogado já teve acesso ao laudo?
22:32 

Monique: 
Já teve
22:37 

Renata: 
E chegou a que conclusão?
Foi hemorragia mesmo?
22:37 

Monique: 
Foi sim
22:55

Renata: 
Quando você puder e se puder me manda a foto pois eu gostaria de entender também o que aconteceu já que eu acompanhava ele é sei que era saudável
22:57

Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros; polícia investiga ela e padrasto, o deputado Dr. Jairinho, pela morte da criança
Foto: Reprodução/CNN Brasil