Defesa de Monique espera novo depoimento pra tentar convertê-la em vítima

Em documento enviado à Procuradoria Geral de Justiça, a defesa alega que pediu novo interrogatório “para que ela própria possa externar suas palavras"

Pedro Duran, CNN, no Rio de Janeiro
19 de abril de 2021 às 20:31
Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros; polícia investiga ela e padrasto, o deputado Dr. Jairinho, pela morte da criança
Foto: Reprodução/CNN Brasil

O grupo de advogados que assumiu na semana passada a defesa da professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry, decidiu diversificar as ferramentas para que ela seja ouvida antes da conclusão do inquérito policial sobre a morte dele. Em documento enviado à Procuradoria Geral de Justiça obtido pela CNN, a defesa alega que pediu um novo interrogatório “para que ela própria possa externar suas palavras sem pressões que existiam em momentos anteriores à prisão”. Na prática, o movimento poderia até fazer com que o Ministério Público forçasse a polícia a ouvir Monique mais uma vez.

“O primeiro pedido para que ela prestasse novo depoimento foi feito na quarta. Hoje reiteramos o pedido e fizemos outro no Ministério Público. Esperamos que o delegado não se negue a ouvi-la”, disse à CNN o advogado de Monique, Thiago Minagé. Ele sustenta que não há motivo para essa negativa, já que três testemunhas do processo tiveram a oportunidade de mudar as versões do depoimento após as prisões dos suspeitos terem sido decretadas pela justiça.  

A pressão da defesa pelo novo depoimento tem um fator prático: na avaliação dos advogados, no momento em que Monique alegar que era vítima de agressões sistemáticas de Jairinho e citar pessoas que eventualmente testemunharam uma relação abusiva, a polícia seria obrigada a colher novas provas e incluir novas testemunhas no inquérito. Em outras palavras, a intenção é converter Monique de suspeita da morte do filho à vítima das agressões do companheiro, Jairo Souza Santos Junior.

Monique Medeiros foi ouvida pela polícia uma única vez, antes da prisão. No dia 17 de março ela falou para os investigadores que o relacionamento dela com Jairinho “era muito bom, não tendo relatado quaisquer problemas”. Sobre filho e padrasto, ela disse que “embora o relacionamento não fosse próximo, já que se conheciam há pouco tempo, Jairo e Henry tinham boa relação, inclusive, ocasionalmente, brincando juntos”. Essa é a versão que os advogados querem mudar.

A polícia sustenta que Monique e Jairinho agiram juntos e que ela não foi forçada a nada pelo companheiro. "Até o presente momento nós não encontramos nada nos autos da investigação através de provas, depoimentos e testemunhas, que sugerisse que a mãe do menino Henry vinha sofrendo ameaças ou agressões”, disse o diretor geral da polícia civil da cidade do Rio de Janeiro, Antenor Martins. “Eles aparentavam união, depuseram de mãos dadas, foram presos dormindo juntos em um terceiro endereço e não nos declarados. Tudo leva a crer que eles estão unidos", completou.

Os novos defensores de Jairo Souza Santos Junior alegaram que ainda não tiveram acesso aos detalhes da investigação. O advogado criminalista Braz Sant'Anna assumiu o caso, mas não divulgou qual será a linha da defesa. Questionado sobre a possibilidade de o Ministério Publico forçar a polícia a ouvir Monique novamente, o delegado do caso, Henrique Damasceno, não quis se manifestar.