Secretário de SP: Educação pode levar 11 anos para reverter prejuízo da pandemia

Em entrevista à CNN Rádio, Rossieli Soares disse que pesquisa mostrou resultados preocupantes em matemática e língua portuguesa

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo
28 de abril de 2021 às 11:27
Aluno é recebido em escola de Campinas, no interior de SP
Aluno é recebido em escola de Campinas (SP); aulas presenciais foram retomadas com 25% de capacidade por causa da pandemia
Foto: Leandro Ferreira - 28.abr.2021/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Os atrasos de aprendizado causados pela pandemia da Covid-19 podem demorar até 11 anos para serem revertidos, afirmou o secretário estadual de educação de São Paulo, Rossieli Soares, em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (28).

Uma pesquisa com mais de 21 mil alunos – que fizeram uma prova de avaliação de ensino – foi realizada para mostrar os impactos da Covid-19 na educação no estado e, de acordo com Rossieli, o resultado mostrado é preocupante.

Ele citou prejuízos em língua portuguesa e matemática. Na pontuação do teste aplicado, houve redução significativa: em média, houve queda de 46 pontos em matemática e de 29 pontos em português, no comparativo com 2019.

“Em matemática, por exemplo, no 5º ano, houve o pior resultado da série histórica, um prejuízo 11 vezes maior. Se a gente crescer na mesma velocidade de antes da pandemia, a gente vai demorar 11 anos para recuperar a aprendizagem perdida”, afirmou Rossieli.

O secretário disse que é possível que o tempo seja reduzido, especialmente com as aulas presenciais. “Sempre que possível, com segurança, a retomada das aulas dentro das escolas, observando o controle, é um dos pilares [para a retomada].”

Rossieli destacou que um acompanhamento de perto será necessário para ensinar aos alunos prejudicados ao menos aquilo que é o mais essencial: “A gente vai ter que ter foco, vai ter que ter suporte, revisão dos materiais, formação de professores e um trabalho contínuo pelo menos nos próximos 3 ou 4 anos para recuperação desses alunos que vão precisar de um acompanhamento muito próximo”.

Segundo o secretário, não é possível prever quando as aulas presenciais poderão ser retomadas com 100% da ocupação, já que, para isso, será preciso uma vacinação mais ampla no estado.