MP quer denunciar Monique e Jairinho nesta terça; advogados criticam inquérito

Polícia civil também pediu a concessão da prisão temporária para preventiva

Pedro Duran, CNN, Rio de Janeiro
03 de maio de 2021 às 20:17 | Atualizado 03 de maio de 2021 às 20:22
À esquerda o vereador Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry
À esquerda o vereador Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel
Foto: Montagem CNN

O vereador Jairo Souza Santos Júnior e a professora Monique Medeiros foram indiciados pela polícia civil do Rio de Janeiro por homicídio duplamente qualificado. Para a polícia, eles foram responsáveis pela morte do menino Henry Borel no dia 8 de março. Os investigadores defendem que Henry foi morto com emprego de tortura e sem possibilidade de se defender, agravantes do crime.

O inquérito era esperado para dia 23 de abril, mas a demora na chegada de laudos periciais fez o processo se arrastar por dias. Eram tidos como essenciais o laudo toxicológico feito no menino Henry e a perícia dos celulares apreendidos. Os aparelhos de telefone teriam sido arremessados pela janela no dia da prisão de Jairinho e Monique.

A polícia civil também pediu a concessão da prisão temporária para preventiva. O casal foi preso no dia 8 de abril, quando a morte de Henry completou um mês. A prisão venceria na próxima sexta-feira (7).

Agora o inquérito vai para as mãos do promotor responsável pela denúncia, Marcos Kac. Ele deve denunciar o casal ainda nesta terça-feira (4). Um coletiva de imprensa está sendo organizada para que as informações do inquérito sejam esclarecidas. Kac deve participar.

“Pretendo varar a madrugada lendo isso para entregar o mais rápido possível. A ideia é denunciar amanhã”, disse ele. Marcos Kac é o responsável pela denúncia, mas pode acabar se juntando ao promotor Fábio Vieira, que atua no tribunal do júri, até o fim do processo e o dia do julgamento, pelo menos na primeira instância. 

Advogados criticam condução da polícia

A CNN conversou com os responsáveis por defender Jairo Santos Júnior e Monique Medeiros. O ex-defensor público Braz Sant’Anna, que agora advoga para o político, disse que a polícia e o MP estão sendo “açodados” e que vai pedir novas diligências assim que o cliente for denunciado. “A defesa vai mostrar no curso do processo que a história não é essa, que a verdade é completamente diferente da que o Ministério Público e a Polícia estão querendo mostrar, estão querendo revelar, não é nada disso. Muita coisa surgirá a partir do momento que o Jairinho tiver a oportunidade de apresentar a primeira resposta no processo, que é a resposta à acusação”, disse ele.

Thiago Minagé, um dos advogados que defendem Monique Medeiros, cogita pedir anulação do processo pelo fato de ela não ter sido ouvida depois de se tornar suspeita e ser presa. O grupo formado ainda por Thaise Assad e Hugo Novais avalia que a recusa do delegado Henrique Damasceno em ouvir a ciente pode configurar cerceamento de defesa. A polícia civil, por sua vez, entende que Monique teve a chance de falar mas preferiu ocultar as supostas agressões que teria sofrido de Jairinho e portanto mentiu em depoimento.