Investigação sobre suspeita de vazamento da PF a Flávio Bolsonaro é prorrogada

Operação Furna da Onça, um dos desdobramentos da Lava-Jato, teve inquérito alongado até outubro

Rayane Rocha e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
06 de julho de 2021 às 16:09 | Atualizado 06 de julho de 2021 às 19:24

 O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro prorrogou nesta terça-feira (6) por mais 90 dias as investigações que apuram se houve vazamento de informações da Operação Furna da Onça aos assessores de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), então deputado estadual.  

Deflagrada em novembro de 2018, a ação comandada pela Polícia Federal indicou movimentações financeiras suspeitas de Fabrício Queiroz. À época, ele atuava como assessor do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).  

O procurador da República, Eduardo Benones, responsável pela apuração, confirmou à CNN que pediu novas diligências e solicitou a prorrogação do prazo. “Temos dois processos no Tribunal Regional Federal (TRF) relativos à investigação, uma cautelar e um mandado de segurança contra uma decisão da Justiça que não concedeu as quebras dos sigilos telefônicos dos envolvidos, além de um recurso contra o habeas corpus concedido a um advogado que figura nas investigações. Mas ainda não foram julgados. Sem que estes processos sejam julgados, não conseguimos prosseguir [com a investigação]”, disse.

Entre as informações pedidas pelo procurador, está a geolocalização dos investigados. Benones quer saber quem esteve próximo à superintendência da PF na véspera da operação.

Senador Flávio Bolsonaro
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters (12.mar.2019)

“Cada vez que uma pessoa usa o celular, ela se conecta a uma antena mais próxima. Sabendo qual antena a pessoa se conectou, por exemplo, ontem às 20 horas, vou saber em que lugar essa pessoa estava”, explicou. 

A suposta interferência da Polícia Federal, alvo de apuração do Ministério Público desde março de 2020, teria envolvido três pessoas ligadas ao atual senador. De acordo com o depoimento do empresário Paulo Marinho, ex-aliado político dele, também teriam acontecido acertos por telefone entre o senador e um delegado da PF.

Paulo Marinho é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado e declarou ao MPF que o companheiro de chapa teria se beneficiado de informações prévias obtidas por intermédio de um delegado da Polícia Federal. Segundo depoimento de Marinho ao MPF, uma pessoa próxima à Flávio teria avisado ao parlamentar que o, então, assessor dele, Fabrício Queiroz, era um dos nomes mencionados nas investigações da PF. Marinho foi um dos apoiadores importantes durante a campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, em 2018. 

A CNN entrou em contato com o TRF-2 e com a assessoria do senador Flávio Bolsonaro, e aguarda um posicionamento sobre o caso.