Pesquisadores vão avaliar como brasileiros estão enfrentando 2º ano da pandemia

Levantamento feito pela Fiocruz faz parte de projeto internacional que envolve outros cinco países

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro 
13 de julho de 2021 às 07:21
Festas clandestinas
Festas clandestinas
Foto: Reprodução / CNN

Um grupo de pesquisadores está investigando como a crise sanitária e social, provocada pela pandemia de Covid-19, vem impactando a vida dos brasileiros pelo segundo ano consecutivo. O estudo faz parte de projeto internacional, do qual participam também instituições de pesquisa do Chile, Equador, México, Peru e Espanha.  

No Brasil, o estudo é conduzido pelo Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (Nevs) da Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília, em parceria com o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia.  

Para participar, basta ter mais de 18 anos, morar no Brasil e responder a um questionário online, disponível na página da instituição (www.agencia.fiocruz.br).  

O objetivo dos pesquisadores é fazer uma análise comparativa com relação aos dados coletados entre junho e agosto de 2020, quando foi feito outro levantamento para avaliar os impactos do confinamento provocado pela pandemia na população.  

Hoje, cerca de um ano depois, o Brasil já ultrapassou a marca de mais de 530 mil mortos pela Covid-19 e 20% da população está vacinada com as duas doses. Por isso, os pesquisadores querem descobrir como o brasileiro está vivendo esse momento e o que mudou na vida de cada um durante esse período.  

No ano passado, cerca de 15 mil pessoas – de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal – participaram da pesquisa realizada pela Fiocruz. Mais da metade dos entrevistados relatou sentimentos de nervosismo, ansiedade e tensão, além da dificuldade para relaxar e controlar as preocupações. Muitos dos entrevistados descreveram sentir cansaço e desânimo.  

Eles responderam a perguntas sobre contexto social, situação do confinamento, condições de saúde, percepção de risco, experiências de convivência familiar, mudanças de comportamento, situações de trabalho e impacto psicológico. 

Dos participantes, mais de 80% disseram ter aderido ao isolamento social, mas cerca de um quarto já não estava mais em confinamento no momento da pesquisa. Para 46%, a situação de isolamento, de alguma forma, piorou sua situação de trabalho. Mais de 50% demonstraram muita preocupação de se infectar pelo novo coronavírus e um percentual ainda maior (70%) mostrou-se bastante preocupado com a infecção de algum familiar ou amigo. 

Os participantes eram, em sua maioria, dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mulheres, com idade em torno de 44 anos, cor branca, ensino superior ou pós-graduação, renda acima de cinco salários-mínimos e residência com características adequadas ao isolamento.  

Com a nova investigação, a equipe coordenada pela pesquidora Jakeline Ribeiro Barbosa, pretende aprofundar a compreensão sobre as consequências da pandemia, especialmente para a população mais vulnerável, que é a mais afetada pelo isolamento social.