Temos de fazer o futuro pelo conhecimento, diz pesquisadora sobre desmatamento

Com o desmatamento, a Amazônia perdeu capacidade de absorver gás carbônico, um processo considerado fundamental para a floresta, aponta estudo

Produzido por Daniel Corrá e Layane Serrano, da CNN em São Paulo
15 de julho de 2021 às 07:54

Em entrevista à CNN, a pesquisadora Luciana Gatti afirmou nesta quinta-feira (15) que o desmatamento na Amazônia é um ciclo vicioso que só cresce, e a única maneira de mudar a situação é juntar o conhecimento, a ciência e o pessoal técnico e político.

Com o desmatamento, a Amazônia perdeu capacidade de absorver gás carbônico, um processo considerado fundamental para a floresta. É o que mostra um estudo publicado na revista britânica Nature, uma das maiores publicações científicas do mundo.

O artigo “Amazônia como fonte de carbono ligada ao desmatamento e mudanças climáticas” é de autoria de Luciana, que faz parte do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos (SP). O estudo também conta com a participação das pesquisadoras Luana Basso e Raiane Neves.

“Temos que construir um futuro baseado no conhecimento porque o clima está mudando e a vida está ficando cada vez mais difícil”, afirmou Luciana.

“Imagina que o ar do oceano fosse uma caixa d'água e tem um chuveirinho embaixo. Essa caixa d'água entra pelo Equador e vai voando sobre a Amazônia, indo em direção aos Andes, e chovendo, ou seja, esvaziando a caixa d'água. A reposição dessa caixa d'água é feita pelos rios, lagos e evapotranspiração das árvores”, explicou Gatti.

Segundo a especialista, as árvores são responsáveis por até 50% da reposição dessa água. Isso significa que, ao desmatar, essa caixa d'água enche menos.  

“Nos últimos três anos o desmatamento deu uma acelerada enorme e a chuva uma diminuída. Isso acontece mais acentuadamente nos meses de agosto, setembro e outubro. E infelizmente temos o hábito de usar fogo para manejo. A vegetação está tão seca que esse fogo avança até para as áreas que não se pretendia queimar. Então, além de diminuir a chuva, estamos provocando muito mais queimada.”