À CNN, Lula diz que Brasil não tem inflação de demanda; entenda o que puxa preços no país

Apresentado por Thais Herédia, o CNN Money apresenta um balanço dos assuntos do noticiário que influenciam os mercados, as finanças e os rumos da sociedade e das dinâmicas de poder no Brasil e no mundo

Da CNN Brasil
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Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que não é a demanda aquecida no país a maior responsável pela alta dos preços e que, por isso, os juros não devem ser mantidos em patamares tão elevados.

Segundo o presidente, “aumentar juros é importante quando se tem uma inflação de demanda, se você tem uma sociedade consumindo demais, então você aumenta os juros para você diminuir o consumo, mas não é o caso do Brasil”.

Para o ex-diretor de política econômica do Banco Central Fabio Kanczuk, que atua hoje como head de macroeconomia da ASA Investments, esse discurso está equivocado.

“O Brasil tem, sim, inflação de demanda. E não tem muito jeito, com inflação de demanda, tem que subir juros, a economia tem que desacelerar bastante para trazer de novo a inflação para um patamar razoável”, disse à CNN nesta sexta-feira (17).

O economista explica que, quem defende o oposto, como fez Lula e outros economistas ligados ao Partido dos Trabalhadores, faz confusão com o que aconteceu no começo da crise da pandemia.

“Em 2020 e 2021 havia um questionamento sobre os problemas de oferta, causados por gargalos nas cadeias de produção. Naquele momento, faltaram chips, por exemplo, o que elevou o preço dos carros. Mas essa discussão acabou já faz um tempo razoável, e, agora, todo mundo sabe que passamos por uma inflação de demanda”, diz.

Além de receber Kanczuk, o episódio desta sexta-feira (17) do CNN Money ainda repercute outros trechos da entrevista do presidente Lula à CNN.

Relação com Campos Neto

"Se eu não posso conversar sobre a taxa de juros, se eu não posso influir para reduzir a taxa de juros, e se eu não posso conversar sobre emprego, então o que eu vou conversar?"

A declaração de Lula se refere a um diálogo com o atual presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, alvo de críticas do governo petista nos últimos dias sobre o patamar da taxa Selic e da meta de inflação.

Nos seus primeiros mandatos, no começo dos anos 2000, Lula conversava -- e reclamava -- com Henrique Meirelles, então mandatário do BC, toda vez que ele subia a taxa de juros.

Sem a proteção da lei para a sua autonomia, Meirelles driblava os protestos do presidente e seguia decidindo tecnicamente sobre como lidar com a inflação.

Na entrevista exclusiva à âncora da CNN, Daniela Lima, Lula insistiu no diagnóstico de economistas heterodoxos que o assessoram, dizendo que "não há inflação de demanda no país" -- portanto, dentro dessa lógica, o juro básico não precisa nem subir, nem ficar alto demais.

Apresentado por Thais Herédia, o CNN Money apresenta um balanço dos assuntos do noticiário que influenciam os mercados, as finanças e os rumos da sociedade e das dinâmicas de poder no Brasil e no mundo.

*Publicado por Tamara Nassif