‘Academia não é lugar de fazer política’, diz candidato à presidência da ABL

Merval Pereira pode suceder o poeta Marco Lucchesi depois da renovação da academia e já prevê sessões de teatro com Fernanda Montenegro e shows de Gilberto Gil

Merval Pereira concede entrevista à CNN Brasil
Merval Pereira concede entrevista à CNN Brasil Leandro Sant'Anna/CNN

Pedro Duranda CNN

no Rio de Janeiro

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Atual secretário-geral, o jornalista Merval Pereira pode assumir a presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo o poeta Marco Lucchesi. A eleição está marcada para esta quinta-feira (2) às 16h, mas ela é vista como protocolar, já que a chapa é única e o processo de escolha da diretoria é consensual.

“Só se tiver uma chuva de votos em branco”, brincou Merval com a CNN em entrevista exclusiva gravada na véspera de eleição. O potencial futuro presidente da Academervalmia prevê ainda aproveitar os novos imortais, com shows de Gilberto Gil e ações teatrais de Fernanda Montenegro.

Muito embora sustente que a ABL ‘não é lugar de política’, Merval tem falado em defesa da ciência e da cultura.

“A Academia não é um lugar de fazer política. A gente só se manifesta quando os fatos exigem. Quando tem uma tentativa de censura, por exemplo, nós sempre nos manifestamos. Quando tem uma tentativa de aumentar o imposto sobre o livro, nós tomamos parte disso na oposição. Então a academia não faz política partidária, mas defende princípios e valores que integram a cultura brasileira. Então nós estaremos sempre atuando em defesa da cultura brasileira”, afirmou ele.

A troca em meio à pandemia da Covid-19 fará o novo presidente herdar uma ABL renovada. Quatro novos ocupantes para cadeiras na Academia foram eleitos nas últimas semanas, em substituição a outros que partiram em meio à pandemia. É o caso do cantor Gilberto Gil, da atriz Fernanda Montenegro, do médico Paulo Niemeyer Filho e do jurista José Paulo Cavalcanti.

Caso seja eleito, a intenção de Merval Pereira é aproveitar os novos talentos dos imortais nos trabalhos da ABL.

“Nós já temos o Cacá Diegues que faz o cineclube da Academia, que a gente vai retomar agora, nós vamos ter a Fernanda Montenegro que vai fazer alguma coisa de teatro na Academia, a gente tá planejando isso. Gilberto Gil também pretende ajudar, fazer shows. E a gente tem trabalhos em progresso, [como] o dicionário da Academia Brasileira de Letras. E no ano que vem a ABL faz 125 anos, nós vamos ter uma programação de comemoração e rememoração da importância da Academia, devemos lançar um livro, nós temos vários estudos fotográficos dos acadêmicos que a gente vai acelerar, nós estamos microfilmando todos os documentos da academia, então temos projetos bastante fortes para compensar esses dois anos quase que a gente teve que fazer online”, afirmou à CNN.

Merval disse ainda que a área social será prioridade ao longo de sua gestão, caso ganhe a eleição.

“Em momentos que a gente vive, como esse, a pandemia, e também [em] momentos conturbados na vida do país, a gente assume às vezes posições mais tendendo a colocar o social à frente da nossa atuação, porque o trabalho social da Academia é um trabalho muito importante, relevante, levar leitura e livros para comunidades carentes, para os índios. […] Essa atuação será certamente uma tônica da minha gestão”, afirmou ele.

Jornalista e comentarista político nascido no Rio de Janeiro, Merval Pereira é imortal na ABL desde setembro de 2011. Oitavo ocupante da cadeira de número 31, ele recebeu o Prêmio Esso em 1979 pela série de reportagens “A segunda guerra, sucessão de Geisel”, publicada no Jornal de Brasília. A série se tornou livro com o mesmo nome.

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