Ao menos 40% das escolas brasileiras retomaram atividade presencial, diz Unicef

Levantamento feito pelo Ipec mostra que, apesar da persistência da pandemia, pais estão menos receosos com a reabertura dos colégios

Sala de aula em escola
Sala de aula em escola Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

Júlia Carvalho, da CNN, em São Paulo

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Há mais de um ano, a adaptação ao ensino remoto virou realidade para muitos estudantes brasileiros por conta da pandemia. As salas de aulas foram substituídas pelos cômodos da própria casa e a lousa, pelo computador. Mas, aos poucos, as atividades presenciais estão sendo retomadas. Segundo pesquisa do Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para Infância), em maio, 41% das escolas do país já haviam retornado com as aulas presenciais. 

A terceira rodada do estudo, intitulado “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, foi realizada pelo Instituto de Pesquisa e Consultoria (Ipec) entre 10 e 25 de maio e divulgada nesta quarta-feira (30). A pesquisa tem como objetivo mapear e compreender de que maneira aspectos como alimentação, educação e saúde mental de crianças e adolescentes foram modificados por conta da pandemia. No levantamento, foram realizadas 1.516 entrevistas em três rodadas.

Ainda com relação à educação, o levantamento aponta que os pais e responsáveis pelos alunos estão menos resistentes à reabertura das escolas do que no início da pandemia. Atualmente, 59% dos brasileiros acreditam ser muito importante o fechamento das escolas para prevenir a contaminação contra a Covid-19 – número que chegava a 82% em julho de 2020. 

Apesar disso, as famílias ainda demonstram cautela com o retorno das atividades presenciais nos colégios. De acordo com o estudo, 74% das pessoas que residem com crianças que ainda permanecem somente com aulas remotas afirmam que o aluno só deve retornar às aulas presencias quando a família considerar que não há risco de contaminação. 

Sobre as dificuldades relacionadas ao estudo remoto, a pesquisa coloca que a falta de acesso à internet e a ausência de adultos para acompanhar as atividades persistem como os principais problemas, ambos presentes na fala de 35% dos entrevistados. 

Para além dos obstáculos tecnológicos, que ficaram ainda mais evidentes durante a pandemia, outro ponto ressaltado pelo estudo é o do prejuízo à saúde mental, especialmente dos adolescentes. Sobre o tema, 56% dos entrevistados afirmaram que algum adolescente com quem moram apresentou ao menos um sintoma relacionado a transtornos mentais. Mudanças repentinas de humor, irritabilidade e diminuição do interesse em atividades rotineiras estão entre os principais problemas relatados. 

A pesquisa, realizada com mais de 1.500 pessoas em suas três rodadas, chama atenção, ainda, para essa ampliação da desigualdade causada pela pandemia. Em maio de 2021, 56% dos brasileiros declararam que a renda do domicílio diminuiu. Entre as famílias com crianças e adolescentes, essa taxa é ainda maior: 64% disseram que a renda familiar é menor desde o início da pandemia. 

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