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    Apagão em São Paulo: moradores relatam prejuízo e desespero após dias no escuro

    Após os fortes temporais que aconteceram na última sexta-feira (3), cerca de 335 mil imóveis continuam sem energia

    Empresários têm perdido estoques de produtos refrigerados
    Empresários têm perdido estoques de produtos refrigerados CNN

    Manoela CarlucciAna Beatriz Diasda CNN

    São Paulo

    Três dias se passaram desde o temporal que atingiu o estado de São Paulo e causou uma falha na energia. O pico da situação atingiu 3,7 milhões de pessoas atingidas. A capital paulista foi a região mais afetada, com 1,7 milhão de pessoas sem acesso à energia.

    Segundo o presidente da Associação de Bares e Restaurantes da Vila Mariana, Claudio Guglielmetto Nogueira, o prejuízo é “gigantesco” e, por enquanto, não conseguem nem ter ideia do valor perdido: “muitos perderam seus alimentos, tiveram que jogar tudo no lixo porque descongelou”, conta. Segundo a ABraselSP, até segunda-feira (6), 15% dos estabelecimentos ainda estavam sem energia.

    Alguns restaurantes na região chegaram a ficar fechados, sem dispor de gerador. Ainda segundo Nogueira, as empresas responsáveis pelo aluguel desses aparelhos também têm abusado nos valores.

    O prejuízo também é grande para quem está em casa. Segundo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), os danos em equipamentos eletroeletrônicos, como televisores, refrigeradores, máquinas de lavar, computadores, entre outros, podem ser ressarcidos ao consumidor pela empresa distribuidora. Em caso de alimentos ou remédios que estragaram por falta de energia, o Procon explica que o consumidor pode pedir ressarcimento. Para isso, é preciso tirar fotos dos alimentos, embalagens, nota fiscal de compra ou embalagem de algum remédio, o que também pode ajudar na hora de pedir reembolso.

    Enchi meu estoque na quarta-feira e tive que jogar tudo fora

    Valquíria Prates possui um comércio também na região do bairro da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, que está sem energia desde sexta-feira (3). No local, ela vende bolos, sorvetes, salgados, bebidas, entre outros produtos. Ela comenta que encheu as geladeiras na última quarta (1º), porque o movimento é sempre maior no final de semana, mas com a falta de energia, acabou perdendo quase um estoque inteiro: “tudo que estava na geladeira eu não posso mais usar, não posso vender se o produto descongelou… É muito triste”, diz.

    Desde o dia da tempestade, quando caiu a energia, ela tenta contato com a Enel para conseguir uma previsão de volta da luz, mas não teve retorno. O seu comércio continua de portas fechadas até hoje.

    Aline tem receio de perder produtos/ CNN

    Falta de Wi-fi prejudica, inclusive o delivery

    Aline Marin, empreendedora de São Bernardo do Campo, ano ABC paulista, conta que sua loja de pudins e cookies, além de depender da energia para assar os doces e mantê-los refrigerados, precisa de wi-fi para que o delivery de entregas funcione. No momento, os produtos estão parados, com risco de estragarem. Ela conta que está muito apreensiva e sem saber o que fazer com toda essa situação.

    Para além de alimentos, os remédios

    A psicóloga Ana Pepe se encontra numa situação delicada desde a última sexta (3). Em um vídeo enviado à CNN, ela divide que além de perder os alimentos que estavam na geladeira de sua casa, teve prejuízo com alguns medicamentos de alto custo, que seu filho faz uso.

    “Estamos preocupados com as pessoas que precisam de suporte de vida, seja a utilização de respiradores, seja alimentação parenteral.” Ela também tentou contato com a Enel, mas não obteve retorno. “Não existe um alinhamento de ações, tanto entre entidades particulares como nas públicas e isso nos traz um receio de como será o nosso verão”, desabafa.

    Ana Pepe perdeu medicamentos de alto custo de seu filho / CNN

    Situação atual na cidade de São Paulo

    Segundo dados da Associação de Bares e Restaurantes da cidade de São Paulo (ABraselSP), 15% dos estabelecimentos ainda se encontram sem energia, 23,4% alegam que a Enel demorou mais de 24 horas para reestabelecer a energia, 46,8% alegam que tiveram prejuízos leves a moderados devido à falta de energia e 49% consideram que a resposta da Enel foi insatisfatória em relação ao reestabelecimento da energia.

    A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e a Câmara de Vereadores da capital paulista planejam aumentar a pressão sobre a concessionária de energia.

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