Após Justiça negar reintegração, Defensoria questiona presença da PM em ocupação do MST em MG

órgão alega que o policiamento pode cercear o direito de ir e vir dos cidadãos que estão acampados em fazenda

Bruno Laforé, da CNN
Cerca de 1.200 integrantes do MST ocupam fazenda na região metropolitana de Belo Horizonte
Cerca de 1.200 integrantes do MST ocupam fazenda na região metropolitana de Belo Horizonte  • Flora Vilela/MST
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A Defensoria Pública de Minas Gerais enviou, neste domingo (10), um ofício ao Diretor de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado, no qual questiona a presença dita "injustificada" do policiamento nas imediações da Fazenda Aroeira, situada em Santa Lagoa, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. A propriedade foi ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na última sexta-feira (8).

No documento, o órgão argumenta que "não há liminar de reintegração de posse, nem apoio a ordem judicial a ser prestado que justifique a mobilização e cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos que estão acampados na fazenda Aroeira".

Em nota, a PM de Minas Gerais informou que permanece no local para garantia da segurança dos proprietários e dos integrantes do movimento. A corporação disse ainda que aguarda uma posição da Justiça sobre a situação.

"Em relação ao trânsito de pessoas, água e alimentos, a instituição informa que está fluindo normalmente", conclui o comunicado da polícia.

No último sábado (9), a Justiça negou um pedido liminar de reintegração de posse da fazenda feito pelos proprietários. A decisão foi proferida pelo juiz Christyano Lucas Generoso, da Central de Plantão de Belo Horizonte (CEPLAN).

O magistrado alega que os autores do pedido de reintegração não apresentarem provas suficientes de serem proprietários do imóvel. De acordo com ele, "a parte autora se limitou a juntar fotos na qual se verificam três pessoas perto de criações bovina e suína, a partir das quais não é possível identificar inequivocamente o imóvel descrito".

A propriedade está ocupada por 500 famílias, equivalente a cerca de 1.200 pessoas, desde a madrugada de sexta-feira. Segundo o MST, a ocupação foi motivada, porque as terras da fazenda estavam abandonadas pelos proprietários e estariam improdutivas.

O Movimento informou também que duas proprietárias estiveram no local e se mostraram abertas a dialogar com os presentes. De acordo com o grupo, a fazenda foi herdada por oito pessoas que ainda não chegaram a um acordo sobre a partilha dos bens. O imóvel estaria sem uso há cerca de sete anos.