Área ocupada pela mineração no Brasil cresceu seis vezes em 35 anos, diz pesquisa

Amazônia reúne quase 94% das áreas de garimpo no país; em dez anos, atividade avançou 495% sobre terras indígenas e 301% sobre unidades de conservação ambiental

Área desmatada por garimpeiros ilegalmente da Terra Indígena Roosevelt, em Rondônia
Área desmatada por garimpeiros ilegalmente da Terra Indígena Roosevelt, em Rondônia Divulgação/Polícia Federal (24.set.2020)

Pauline AlmeidaAdriana Freitasda CNN

Rio de Janeiro

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Em 35 anos, o Brasil teve um salto na área ocupada pela mineração, que cresceu seis vezes, saindo de 31 mil hectares, em 1985, para 206 mil hectares, em 2020. O levantamento realizado por meio de imagens de satélite é do MapBiomas, que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia para monitorar as transformações no uso da terra no país.

Enquanto a mineração industrial cresceu continuamente, a um ritmo de 2,2 mil hectares por ano, o garimpo avançou rapidamente a partir de 2010, quando a taxa de expansão quadruplicou para 6,6 mil hectares por ano. E, em 2020, a atividade garimpeira superou a área dominada pela mineração industrial – 107,8 mil hectares contra 98,3 mil hectares.

O crescimento do garimpo, segundo a MapBiomas, coincide com “o avanço sobre territórios indígenas e unidades de conservação”, que reúnem metade das áreas exploradas pela atividade. No campo das terras indígenas, a alta chegou a 495% entre 2010 e 2020.

As maiores áreas com garimpeiros estão nos territórios Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima. Já nas unidades de conservação, o aumento foi de 301% nesses dez anos. Das dez unidades com maior concentração de garimpos, oito ficam no Pará.

“Pela primeira vez, a evolução das áreas mineradas é apresentada para a sociedade, mostrando a expansão de todo o território brasileiro desde 1985. Tratam-se de dados inéditos que permitem compreender as diferentes dinâmicas das áreas de mineração industrial e garimpo e suas relações, por exemplo, com os preços das commodities, com as unidades de conservação e terras indígenas” afirma Pedro Walfir, professor da Universidade Federal do Pará e coordenador do Mapeamento de Mineração no MapBiomas.

Outra característica observada pela pesquisa foi a preferência pela Amazônia, que concentra três de cada quatro hectares minerados no Brasil, com 72,5% de toda a mineração industrial e garimpos. 93,7% do garimpo no país fica na Amazônia, enquanto o índice fica em 49,2% no caso da mineração industrial. Já a Mata Atlântica aparece como segundo bioma com áreas mineradas, com 14,7% (30.278 hectares); seguida pelo Cerrado, com 9,9% (20.509 hectares).

Entre os estados, em área total explorada pela mineração, o Pará lidera, seguido por Minas Gerais e Mato Grosso. Enquanto no Pará, a maior parte se destina aos garimpos (76.514 hectares dos 110.209 da mineração total), Minas Gerais é ocupado pela mineração industrial em quase a sua totalidade (32.785 hectares ocupados por indústrias da área de 33.432 hectares).

O produto do garimpo e da mineração industrial também guarda diferenças. O primeiro tem foco no ouro (86,1% da área explorada), já a segunda se concentra no ferro (25,4%) e alumínio (25,3%).

“Os produtos da mineração são fundamentais para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. Esperamos que estes dados contribuam para a definição de estratégias para acabar com as atividades ilegais e estabelecer uma mineração em bases sustentáveis respeitando as áreas protegidas e o direito dos povos indígenas e atendendo os mais elevados padrões de cuidado com a biodiversidade, solo e a água”, afirma Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

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