Aumento de furtos de smartphones no Brasil causa preocupação com dados do aparelho

Segundo pesquisa realizada por uma consultoria em telecomunicações, 35% dos brasileiros já tiveram o celular roubado ou furtado

Vinícius Tadeuda CNN

Em São Paulo

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Foi-se o tempo em que a preocupação de quem tinha um celular roubado ou furtado era apenas a do prejuízo material do aparelho. Com o avanço dos aplicativos bancários e do número de dados disponíveis nos smartphones, o transtorno agora envolve os riscos de ter informações e senhas valiosas nas mãos dos bandidos.

De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado pela consultoria em telecomunicações Mobile Time/Opinion Box, 35% dos brasileiros já tiveram o celular roubado ou furtado ao menos uma vez.

O alto percentual pode ser percebido através do aumento de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime. Os bandidos procuram vítimas distraídas para realizarem o furto dos aparelhos com a intenção de invadir as contas bancárias, ampliando o prejuízo de quem ficou sem celular.

Se aproveitando de brechas na segurança e trocas de chips, os criminosos conseguem desbloquear senhas, acessar aplicativos de bancos, fazer empréstimos, pagar contas e realizar transferências através do Pix.

Desde que a de pagamento instantâneo do Banco Central, se popularizou no país, os roubos e furtos de celular passaram a ser seguidos de uma “corrida contra o tempo” para que a vítima bloqueie os aplicativos de banco o quanto antes.

Como medida de segurança, o BC fez uma série de mudanças no Pix em agosto do ano passado. O limite do sistema de pagamentos passou a ser de R$ 1 mil para operações entre 20h e 6h.

Mesmo assim, os criminosos se aproveitam de lugares movimentados para furtar vítimas que andam com o celular na mão até mesmo durante o dia. Os bandidos costumam andar em grupos de diversas pessoas, incluindo crianças e adolescentes.

Na Avenida Paulista, uma das regiões mais movimentadas de São Paulo, em janeiro e fevereiro deste ano foram registrados sete furtos ou roubos todos os dias. Durante esse período, a Polícia Militar prendeu 77 pessoas e apreendeu cinco armas de fogo.

Fator de autenticação não deve ser enviado para o próprio número, diz especialista

Em entrevista à CNN, o perito em crimes cibernéticos Wanderson Castilho recomendou que o fator de autenticação dos dados do celular não esteja registrado no próprio número do aparelho.

“Nunca se deve deixar como fator de autenticação o envio do código de SMS o seu próprio número. Envie para o número de seu parceiro, pai, amigo, namorado porque caso seja roubado, o código vai para outro número e não para um número que você já não tem mais o aparelho na mão”, disse.

Castilho ainda afirmou que, dependendo do aparelho, o desbloqueio e quebra de senhas de aplicativos pode ser feito em até dez minutos pelos criminosos.

“Normalmente a resposta é muito mais simples do que se imagina. Eles tiram o chip e colocam em outro aparelho, e com o envio de alguns códigos por SMS eles conseguem atualizar as novas senhas”, explicou o especialista.

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