Bolsonaro diz que “menina e bebê foram vítimas” no caso de SC

"Tirar uma vida inocente, além de atentar contra o direito fundamental de todo ser humano, não cura feridas", afirmou o presidente em uma rede social

Júlia VieiraHenrique Andradeda CNN

Em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou-se nesta quinta-feira (23) sobre o caso de uma menina de 11 anos foi vítima de estupro em Santa Catarina e acabou engravidando.

“A única certeza sobre a tragédia da menina grávida de 7 meses é que tanto ela quanto o bebê foram vítimas, almas inocentes, vidas que não deveriam pagar pelo que não são culpadas, mas ser protegidas do meio que vivem, da dor do trauma e do assédio maligno de grupos pró-aborto”, escreveu o chefe do Executivo em suas redes sociais.

“Sabemos tratar-se de um caso sensível, mas tirar uma vida inocente, além de atentar contra o direito fundamental de todo ser humano, não cura feridas nem faz justiça contra ninguém, pelo contrário, o aborto só agrava ainda mais esta tragédia! Sempre existirão outros caminhos”, continuou Bolsonaro.

Na postagem, o presidente anexou o que seria a foto de um feto de 25 semanas.

Horas depois, Bolsonaro também anunciou que solicitou ao Ministério da Justiça e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos apuração de possíveis abusos cometidos pelos envolvidos no processo.

Os órgãos também vão investigar possível violação do sigilo de justiça e “total desprezo pelas leis e princípios éticos, à exposição de uma menina de 11 anos”, escreveu o presidente.

Nesta quinta, o Ministério Público Federal (MPF) confirmou que a interrupção da gestação foi realizada na noite de quarta-feira (22). Ela estava na 29ª semana, o que equivale a cerca de 7 meses de gestação.

O caso foi revelado em uma reportagem publicada pelas jornalistas Paula Guimarães, Bruna de Lara e Tatiana Dias, do portal Catarinas e do site The Intercept Brasil.

A vítima de abuso sexual foi levada a um hospital de Florianópolis para realizar um aborto, após constatada a gestação. A instituição, porém, se recusou a realizar o procedimento em razão da gravidez ter ultrapassado o limite de semanas permitido pelas normas internas.

Quando o caso chegou à Justiça, a magistrada Joana Ribeiro Zimmer determinou que a menina fosse levada a um abrigo, usando como justificativa em um dos despachos o “risco” da mãe efetuar “algum procedimento para operar a morte do bebê”.

“Tanto a criança de 11 anos quanto o bebê de 7 meses são vidas que precisam ser preservadas”

Na madrugada desta sexta (24), o presidente fez outra publicação nas redes sociais sobre o caso.

Respondendo a uma matéria do Jornal O Globo, que noticiava a sua primeira manifestação sobre o aborto da menina de 11 anos, Bolsonaro escreveu: “Se existe a chance de preservar duas vidas inocentes, por que não defendê-las?”

“A felicidade de uma depende da morte da outra. Por que quem defende as duas vidas é pior do que quem defende apenas uma? Estranha essa dificuldade para quem defende facilmente a vida de bandidos”, acrescentou.

“Para nós, tanto a criança de 11 anos quanto o bebê de 7 meses são vidas que precisam ser preservadas. Para vocês e todos os que promoveram essa barbárie, somente uma dessas vidas importam e a outra pode ser descartada numa lata de lixo, mesmo que exista chance de se evitar isso”, conclui a postagem do presidente.

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