‘Brasil é pária da saúde pública e do meio ambiente’, diz Marina Silva

Em entrevista à CNN, a ex-ministra disse que meio ambiente no país está em situação de descontrole por estratégia de destruição

da CNN em São Paulo

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Para a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, a situação ambiental brasileira é de descontrole. Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (7), ela disse que, atualmente, o país é um pária na saúde pública e no meio ambiente.

“A Amazônia está sendo sacrificada, tão sacrificada quanto os brasileiros que estão sendo sacrificados por uma visão negacionista. Os mesmos que negam a pandemia, negam o desmatamento, o garimpo ilegal, a violência contra os povos indígenas e as atitudes de desrespeito para com uma das florestas mais importantes do planeta”, afirmou. 

Mais cedo, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) anunciou que o desmatamento na floresta amazônica registrado nos últimos 12 meses é 34,5% maior do que no mesmo período anterior. 

Para Marina, esse aumento não é acidental. “Não é por inépcia, é estratégia de destruição da floresta, que estamos vendo arder na nossa frente”, declarou. “A bandeira verde é símbolo das florestas, que estão sendo queimadas no plano real. No plano simbólico, fazem apologia ao verde e amarelo, mas o verde está queimando”. 

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A candidata à presidência em 2018 também condenou a fala do ministro da Economia Paulo Guedes, de que os países estão preocupados com as nossas florestas pois queimaram as deles.

“Há uma diferença, naquela época, não se tinha o conhecimento técnico científico que temos agora do mal que isso faz para o planeta, não tínhamos convenção assinada por 190 países de que é preciso frear a destruição das florestas sob pena de estar destruindo as condições da vida na Terra”, disse.

“É uma visão atrasada que está prejudicando o Brasil no âmbito econômico, cultural, político e no contexto internacional”. 

Marina falou também que é importante a pressão da sociedade civil e das empresas pela mudança, mas que não vê alteração real nos quadros do governo.

“Quando se diz algo em que não se tem convicção, acaba se traindo lá na frente. É o que se vê na fala de Mourão, de Paulo Guedes. O presidente Bolsonaro nunca fez questão de ter qualquer refinamento em relação a esse tema”, afirmou.

“Mas a pressão funciona, os mercados não vão abrir mão de que o Brasil faça sua lição de casa”.

Para ela, não faltam iniciativas para que o país passe a proteger as florestas. “É só uma questão de implementarmos o que já deu certo, e o que deu certo foi um plano de prevenção e controle do desmatamento”. 

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