Data Favela: 57% deixariam o crime se tivessem oportunidade de emprego

Entrevistas foram realizadas por pesquisadores em favelas e comunidades de todas as regiões do país

Bruno Teixeira, da CNN Brasil, São Paulo
Vista de um drone no Rio de Janeiro  • Vista de um drone sobre uma favela em uma montanha no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil, em 4 de junho de 2025. REUTERS/Pilar Olivares
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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela ouviu 3954 pessoas que exercem atividades ligadas ao tráfico de drogas, e revelou que 57% deixariam o crime se tivessem oportunidade de emprego ou de empreender. A amostra foi coletada em favelas de 23 estados.

As entrevistas foram realizadas por pesquisadores in loco em todas as regiões do país.

Os entrevistados responderam a um questionário com 84 perguntas, que foram divididas em quatro módulos: família, educação e saúde; caminhos do crime; vivências, cotidiano, consumo e cultura; e gênero, raça e juventude.

Quando questionados sobre motivos que fariam com que saíssem do crime, 57% responderam que empreendedorismo, emprego formal com carteira assinada ou  emprego
com flexibilidade seriam uma razão definitiva para mudarem de vida.

Quando perguntados apenas sobre a possibilidade de empreender e abrir o próprio negócio, 22% responderam que deixariam o crime por este motivo. Em São Paulo, o percentual sobre para 25%.

Outros 20% afirmaram que deixariam as atividades ligadas ao tráfico se tivessem um emprego com carteira assinada. Em São Paulo, o percentual cai para 14%. Por outro lado, Rio de Janeiro (30%) e Rio Grande do Sul (49), apresentam taxas mais elevadas que a média nacional.

Promovida pela Central Unica das Favelas (CUFA), pela Favela Holding e pelo Instituto DataGoal, a pesquisa Raio-X da Vida Real foi realizada entre os dias 15/08/25 e 20/09/25. O Data Favela é o primeiro instituto de pesquisa do Brasil dedicado a realizar pequisas em  favelas e periferias brasileiras.