Brasil registrou 75 assassinatos de jovens por dia em 11 anos
Atlas da Violência, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que mais de 300 mil pessoas entre 15 e 29 anos morreram por homicídio entre 2014 e 2024

Mais de 300 mil jovens foram assassinados no Brasil ao longo da última década. De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), entre 2014 e 2024 o país registrou 301.825 homicídios de pessoas entre 15 e 29 anos, o equivalente a uma média de 75 mortes por dia.
Os dados mostram que, apesar da redução observada nos indicadores de violência letal nos últimos anos, a juventude continua ocupando posição central entre as vítimas. Em 2024, 19.801 jovens tiveram suas vidas interrompidas por homicídios, com taxa de 42,2 mortes por 100 mil habitantes.
Segundo o Atlas, os jovens representaram 46,5% de todas as vítimas de homicídio registradas no Brasil em 2024, o que significa que praticamente uma em cada duas mortes violentas no país atingiu pessoas entre 15 e 29 anos.
Se consideranda a metodologia de homicídios estimados, que busca compensar possíveis falhas na identificação de mortes violentas ocultas, a taxa sobe para 46,1 homicídios por 100 mil jovens.
Homens concentram quase todas as mortes
O perfil das vítimas permanece fortemente concentrado entre homens. Do total de jovens assassinados em 2024, 18.545 eram do sexo masculino, o equivalente à ampla maioria dos casos registrados no período.
Na prática, isso significa que, dos 54 jovens mortos por dia em 2024, 51 eram homens, segundo o levantamento. A taxa de homicídios entre homens jovens chegou a 78 mortes por 100 mil habitantes, quase o dobro do índice geral da juventude.
Queda nacional não ocorreu de forma igual pelo país
Embora o cenário nacional indique redução da violência letal contra jovens na comparação com dez anos atrás, o comportamento dos indicadores foi desigual entre os estados.
Entre 2014 e 2024, o Atlas aponta reduções expressivas nas taxas de homicídio de jovens no Distrito Federal (-79,6%), Goiás (-67,8%) e São Paulo (-58%). Por outro lado, algumas unidades da federação seguiram trajetória oposta, como Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%).
Em 2024, o estado com a menor taxa de homicídios de jovens foi São Paulo, com 10,7 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a maior foi registrada na Bahia, com 114,7 por 100 mil, índice mais de dez vezes superior ao paulista.
O Atlas destaca que a violência contra jovens vai além da perda imediata de vidas e produz impactos sociais e econômicos duradouros, ao atingir justamente uma fase marcada pela formação educacional, inserção profissional e consolidação do potencial produtivo.
Atlas da Violência
O Atlas da Violência 2026 marca uma década da parceria entre o Ipea (Instituto de Pesquisa Ecônomia Aplicada) e o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) no monitoramento da letalidade no Brasil.
O estudo foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS).
Embora os índices oficiais apontem uma queda histórica da violência letal, a pesquisa aponta que houve um aumento crítico na subnotificação dos homicídios.


