Criminosos roubaram R$ 150 milhões de investidores de criptos em 2026

Números da Chainalysis colocam o Brasil entre os quatro países com maior número acumulado de ocorrências desde 2023

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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Um novo relatório aponta que criminosos já roubaram mais de R$ 150 milhões (US$ 30 milhões) de detentores de criptomoedas em todo o mundo, apenas no primeiro semestre de 2026. O número representa um crescimento dos ataques violentos contra investidores de criptoativos.

As informações são do "2026 Mid-Year Crypto Crime Report" da Chainalysis, empresa global de inteligência e investigação em blockchain. O estudo aponta que o Brasil configura entre os quatro países com maior número acumulado de ocorrências registradas desde 2023, ao lado de França, Estados Unidos e Tailândia.

"Caso esse ritmo seja mantido até o fim do ano, o volume efetivamente roubado poderá superar o registrado em 2025, que atualmente representa o maior total anual observado pela empresa com US$ 58 milhões (R$ 297 milhões)", afirma o relatório, que reforça que o crime deixou de ser um fenômeno isolado e passou a afetar diferentes mercados de criptomoedas ao redor do mundo.

Os US$ 30 milhões representam, na verdade, apenas parte do impacto financeiro com os ataques, que incluem invasões a residências, sequestros e situações de refém, por algumas vezes chamados de "ataques de chave inglesa".

Quando a análise inclui também valores exigidos pelos criminosos, tentativas que não resultaram em pagamento, recursos posteriormente congelados e ativos recuperados, os montantes associados às ocorrências chegam a cerca de US$ 107 milhões, ou R$ 550 milhões, nos primeiros seis meses deste ano.

O número evidencia uma queda, visto que os dados apontam para US$ 180 milhões em 2025 e US$ 316 milhões em 2024. Segundo a Chainalysis, esses números provavelmente permanecem subestimados, uma vez que muitos casos não são reportados publicamente.

Familiares na mira e invasões residenciais

Uma das principais mudanças identificadas pelo relatório é o perfil das vítimas. Se, em 2021, familiares e pessoas próximas praticamente não apareciam entre os alvos, em 2026 eles passaram a representar entre 25% e 30% dos casos registrados.

No Brasil, o estudo também aponta que, entre os casos em que foi possível identificar a residência da vítima, 82% envolveram moradores do próprio país, indicando que os ataques tendem a atingir pessoas que vivem localmente.

Outra tendência observada é o crescimento das invasões a residências. Esse tipo de ocorrência representava 26% dos casos registrados em 2023 e passou para 37% em 2026, tornando-se cada vez mais frequente entre os ataques analisados pela empresa.

Os sequestros continuam sendo a categoria mais recorrente, respondendo por 52% dos incidentes registrados em 2026. Por outro lado, o relatório observa que algumas ocorrências apresentam características de mais de uma categoria e que diferentes metodologias podem classificá-las de formas distintas.

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Ataques crescem, mas com menos sucesso

Apesar do aumento das ocorrências, a Chainalysis identificou uma queda na proporção de ataques que resultam, de fato, em pagamento. Até o fim de junho de 2026, apenas 12 dos 46 casos conhecidos terminaram com transferência de recursos aos criminosos, o equivalente a 26% das tentativas. Em comparação, essa taxa foi de 49% em 2025 e de 67% em 2024.

Embora os ataques tenham se tornado mais sofisticados e violentos, o relatório destaca que a transparência das blockchains continua sendo um diferencial importante para as investigações. O monitoramento on-chain permite acompanhar o caminho percorrido pelos ativos após o roubo, identificar conexões entre diferentes carteiras e, em alguns casos, apoiar o congelamento ou a recuperação dos recursos.

De acordo com a Chainalysis, esse tipo de inteligência tem contribuído para ampliar a capacidade de resposta de autoridades e instituições responsáveis pela investigação desses crimes.