Em alerta, Sul enfrenta dias de temporais e chuvas de 200 mm; veja previsão

Rio Grande do Sul permanece atento para acumulados de chuva nesta terça-feira (21), enquanto frente fria avança

Manuella Dal Mas, da CNN Brasil, em São Paulo
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A penúltima semana de julho será marcada por contrastes no tempo em todo o Brasil. Enquanto o Sul enfrenta os maiores volumes de chuva do país, com temporais e risco de transtornos provocados pelo avanço e pela permanência de uma frente fria, o Sudeste e boa parte do Centro-Oeste devem continuar com predomínio de tempo seco e baixa umidade do ar.

No Nordeste, a chuva permanece concentrada no litoral, enquanto o Norte segue com pancadas isoladas, principalmente na faixa norte da região.

O Rio Grande do Sul deve enfrentar o dia mais crítico da semana nesta terça-feira (21), com previsão de chuva intensa, tempestades e risco elevado para alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho de grande perigo para acumulados de chuva em parte do estado, onde os volumes podem superar 100 milímetros em apenas 24 horas e alcançar até 200 mm ao longo da semana.

Segundo o meteorologista Francisco de Assis, do Inmet, o cenário de instabilidade está relacionado ao abaixamento da pressão.

"Não, o tempo severo no Sul do país se deve intensificar por causa do sistema frontal semi-estacionário. Está havendo um abaixamento de pressão entre Argentina, Paraguai e Rio Grande do Sul", explicou à CNN Brasil.

De acordo com o especialista, o que favorece a chuva persistente é justamente o comportamento da frente fria. "É o sistema frontal que está semi-estacionário. Quando ele fica semi-estacionário, acaba causando chuvas intensas", afirmou.

Rio Grande do Sul concentra situação mais crítica

Esta terça-feira será marcada por tempestades em praticamente todo o Rio Grande do Sul, com possibilidade de granizo entre o oeste, centro e leste do estado. As áreas mais críticas incluem municípios como São Borja, Santo Ângelo, Ijuí, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Porto Alegre e Pelotas, onde são esperados os maiores acumulados de chuva.

O aviso vermelho do Inmet prevê precipitações superiores a 60 mm por hora ou acima de 100 mm ao longo do dia, cenário que aumenta significativamente o risco de grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos em áreas vulneráveis.

Além disso, praticamente todo o restante do estado permanece sob aviso laranja para tempestades, com previsão de chuva entre 30 e 60 mm por hora, ventos de até 100 km/h e possibilidade de queda de granizo.

Em Santa Catarina, o oeste e o sul do estado também podem registrar tempestades, enquanto o Paraná permanece sob influência do Jato de Baixos Níveis (JBN), que favorece rajadas de vento, principalmente no oeste e centro-sul paranaense.

Instabilidade continua, mas perde força a partir de quarta

Na quarta-feira (22), a frente fria avança em direção ao Paraná, mantendo as instabilidades sobre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Embora a chuva continue, a tendência é de redução gradual da intensidade ao longo do dia, principalmente no território gaúcho.

Ainda assim, o norte do Rio Grande do Sul, áreas serranas e regiões próximas da divisa com Santa Catarina permanecem em alerta para chuva forte durante a madrugada e a manhã. Segundo o Inmet, praticamente toda Santa Catarina e grande parte do Paraná entram em aviso amarelo para tempestades, inclusive com possibilidade de granizo.

Frente fria derruba temperaturas na segunda metade da semana

Após a passagem da frente fria, uma massa de ar frio avança sobre o Sul do país entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24). O Inmet prevê que as temperaturas mínimas fiquem entre 8°C e 14°C na maior parte da região, podendo atingir entre 2°C e 4°C nas áreas serranas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já as máximas devem cair para valores entre 10°C e 12°C nas regiões de maior altitude e entre 16°C e 22°C nas demais localidades.

Apesar da melhora temporária do tempo na quinta-feira, novas áreas de instabilidade podem voltar a provocar chuva na sexta-feira, embora sem os volumes extremos registrados no início da semana.

Semana será marcada por contrastes no restante do país

Enquanto o Sul concentra os maiores volumes de chuva, o restante do Brasil apresenta um cenário bastante distinto.

No Sudeste, predomina o tempo firme durante a primeira metade da semana, favorecido por um sistema de alta pressão. Apenas entre quinta e sexta-feira a aproximação de uma frente fria deve aumentar a nebulosidade e provocar pancadas de chuva, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os acumulados podem chegar a cerca de 50 mm em pontos isolados. Até lá, permanece o alerta para baixa umidade do ar em grande parte do interior paulista e do Triângulo Mineiro.

No Centro-Oeste, a semana continua com predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas. Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso permanecem sob influência de uma massa de ar seco, enquanto apenas o sul de Mato Grosso do Sul deve registrar chuva a partir de quarta-feira, em função do avanço da frente fria. Também persistem os alertas para baixa umidade relativa do ar durante as tardes.

Já no Nordeste, a chuva continua concentrada na faixa litorânea, principalmente entre a Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em alguns trechos, há previsão de chuva moderada a forte e temporais isolados. No interior nordestino, especialmente no Sertão, o tempo permanece firme e seco durante praticamente toda a semana.

Na Região Norte, as pancadas de chuva continuam concentradas principalmente no Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará, enquanto Tocantins, Rondônia e o sul do Pará permanecem com tempo mais seco e baixos índices de umidade. As temperaturas seguem elevadas, podendo atingir entre 36°C e 38°C em áreas do Amazonas e do Pará ao longo da semana.