PCC evolui de violência na fronteira para laboratórios de cocaína na Europa
Vídeos mostram tráfico na divisa entre Paraná e Paraguai; facção mudou rota e comprou fazendas bilionárias em Mato Grosso

Tráfico violento na fronteira, compra de fazendas bilionárias em Mato Grosso e laboratórios de cocaína na Europa. Descobertas recentes sobre o PCC (Primeiro Comando da Capital) preocupam autoridades, que alertam para o crescimento da facção criminosa.
Mesmo após anos de combate pelas forças de segurança estaduais e federais, a organização criminosa se sofistica, muda suas rotas e atinge diversas camadas da sociedade. Investigações trabalham com evidências que mostram como a facção, em poucos anos, já se estabeleceu fora do Brasil.
Vídeos recuperados pela CNN Brasil evidenciam o tráfico de drogas do PCC na fronteira do Paraná. Agora, mesmo ainda atuando dessa forma, novos trajetos dificultam o trabalho das autoridades e mantém a roda criminosa girando.
Violência na fronteira
A atuação violenta do PCC na divisa entre o Paraná e o Paraguai começou a mudar em 2019, principalmente por conta da Operação Horus do Ministério Público do Paraná que combateu o tráfico de drogas na fronteira do estado.
O vídeo abaixo mostra, primeiro, diversos traficantes na região de Guaíra entrando no território paranaense com diversos pacotes amarelos contendo drogas, armas e outros produtos contrabandeados do Paraguai, em 2019. Os outros registros são de criminosos atravessando o rio Paraná com lanchas e atirando em policiais da fronteira e nas câmeras de monitoramento.
Assista:
De acordo com investigadores, 300 barcos atravessaram o rio com drogas em apenas uma noite. Durante os disparos registrados no vídeo, um policial faleceu.
O esquema do PCC na região passou a diminuir com a Operação Hórus, mas perdurou por anos em menores proporções. Em 2025, autoridades paranaenses precisaram agir com explosivos em "mini-postos" da facção na fronteira com o Paraguai.

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Mudança de rota: fazendas em MT
Apesar do fortalecimento da fronteira do Paraguai com investimentos em tecnologia e efetivo policial, a facção não paralisou suas operações na região paranaense, mas apenas buscou novas alternativas.
A reportagem apurou que investigações apuram a compra de fazendas pelo PCC avaliadas em cerca de R$ 8 bilhões no Sul de Mato Grosso. Elas seriam novas bases de escoamento do tráfico para acessar o Porto de Paranaguá, além de terminais privados, e seguir com o fluxo de exportação ilegal de entorpecentes.
O terminal em Paranaguá, assim como o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, e o Porto de Santos, em São Paulo, são pontos estratégicos do crime organizado para o tráfico internacional de drogas.
Fluxo permanece: ex-comandante preso
A infiltração do crime organizado no poder público já é uma tática conhecida por investigadores. No Paraná, um exemplo é o caso de um major da Polícia Militar preso e réu por corrupção passiva.
O ex-comandante da 3ª Companhia Independente da Polícia Militar de Loanda usava do cargo para cobrar propina de criminosos da região. A investigação aponta que ele recebia cerca de R$ 200 mil para facilitar o fluxo criminoso de drogas, cigarros e armas, principalmente na cidade de Umuarama, no Noroeste do estado.
O major foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Transparência. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele realizava, de forma sistêmica, a cobrança e o recebimento de propinas.
Laboratórios na Europa
As mais recentes descobertas sobre a atuação internacional da facção revelaram a presença de laboratórios de refino de cocaína na Itália e em Portugal.
A organização criminosa passou a enviar a pasta da droga e realizar o refino no continente europeu, aumentando o lucro. Estima-se que 90% da cocaína enviada para a Europa por vias marítimas está ligada ao PCC.
A forte ligação entre o PCC e a 'Ndragheta, máfia italiana, aponta para um consenso entre investigadores brasileiros: a facção paulista está estabelecida em diversos países da Europa, replicando o sistema de produção e tráfico de drogas "importado" de países como Bolívia, Paraguai e Colômbia, e consolidado no Brasil.
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Como combater?
A cooperação nacional e com autoridades internacionais já é um consenso no combate à expansão do PCC, que atua em uma rede multinacional com empresas de fechada, exploração de brechas regulatórias, novas tecnologias e infiltrações na economia formal e no Estado.
Para especialistas e investigadores, algumas das principais estratégias de enfrentamento ao crime organizado devem ser:
- Asfixia financeira: investigar não só quem executa o crime, mas quem financia, como o capital circula e onde estão os ativos ocultos;
- Desarticular a Rede: interromper a atividade econômica criminosa, ou seja, as rotas logísticas, os mecanismos financeiros e as empresas de fachada;
- Governança de risco: mapear e neutralizar vulnerabilidades regulatórias e estabelecer programas institucionais de integridade;
- Whole-of-Gov: atuação integrada entre Ministério Público, Judiciário, forças policiais, fisco e unidades de inteligência financeira;
- Whole-of-Society: engajamento organizado do setor privado, academia e da sociedade civil na proteção do ambiente econômico.


