PF criará novas bases na fronteira para barrar entrada de drogas e armas

Foco da recém-criada Coordenação de Fronteiras é impedir entrada de itens do Paraguai, que segue sendo o país que mais envia produtos ilegais ao Brasil; arcos Norte, Central e Sul vão ter objetivo também de compartimentar informações

Elijonas Maia, da CNN Brasil
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A PF (Polícia Federal) vai ampliar o monitoramento na fronteira do Brasil com países vizinhos com a criação de novas bases policiais.

São 11 estados que fazem fronteira com dez países em uma extensão de 16.886 km do Amapá até o Rio Grande do Sul.

Apesar de haver uma preocupação pontual entre Amazonas e Venezuela, o foco principal da PF continua na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul e Paraguai por conta de contrabando e tráficos de armas e drogas pelas rotas que atravessam esses dois estados.

A criação de novas bases em pontos estratégicos faz parte de uma medida da recém-criada CGFron (Coordenação-Geral de Fronteiras). Três arcos também já foram definidos: Norte, Central e Sul.

Nesses três arcos, policiais ficarão responsáveis pelos seus estados e criarão relatórios das unidades para aumentar o desempenho e resolução de problemas, para, também, repassar informações de inteligência para as superintendências.

As novas bases serão equipadas a depender das necessidades de cada região, como viaturas ou aparelhos tecnológicos de identificação.

A coordenação também fará intercâmbio de informações com o Comando Tripartite, que tem parceria de inteligência com Argentina e Paraguai.

No ano passado, o ministro do Interior do Paraguai anunciou à CNN que, do lado paraguaio, terá uma base para combater a expansão e financiamento do grupo terrorista Hezbollah na tríplice fronteira - em parceria com o FBI.

Delegados da PF ouvidos pela CNN apontam que essa preocupação de terrorismo não é de hoje, mas que essa medida é uma iniciativa do Paraguai para analisar possível financiamento dessas atividades terroristas entre os três países.

A criação da CGFron é uma demanda antiga dos investigadores, que avaliam que a integração de informações ajuda no combate ao crime organizado, sendo as fronteiras “as portas de entrada” do crime no Brasil. Além disso, para apoiar o trabalho dos policiais que estão na ponta, trabalhando em cidades menores longe das grandes capitais.