PF prende policiais suspeitos de contrabando e lavagem de dinheiro

Operação cumpre 44 medidas em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais contra PMs, policias civis e rodoviários, além de bombeiros; Justiça bloqueia R$ 40 milhões

Elijonas Maia, da CNN Brasil, em Brasília
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A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18), a Operação Iscariotes contra a atuação de uma organização criminosa formada por agentes de segurança pública suspeita de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, violação de sigilo, e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

Os alvos são policiais militares, civis e rodoviários federais, além de bombeiros, apurou a CNN Brasil.

O inquérito da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul, com apoio da Receita Federal do Brasil, revelou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.

Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande/MS e em outras unidades da Federação, especialmente em Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.

As apurações demonstraram que o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas.

Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.

Segundo as investigações, os agentes vinculados a órgãos de segurança pública (aposentados e da ativa) atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.

No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.

A operação cumpre:

  • 31 mandados de busca e apreensão;
  • 4 mandados de prisão preventiva;
  • 1 mandado de monitoração eletrônica;
  • 2 afastamentos de funções públicas;
  • 6 Suspensões de porte/posse de arma de fogo;
  • Indisponibilidade de bens de 12 Pessoas Físicas e Jurídicas (40 milhões de reais), incluindo: Sequestro de ao menos 10 imóveis; Sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos; Suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas.

Ao todo, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais, nas cidades de Campo Grande (MS), Dourados (MS), Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).

A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

O nome "Operação Iscariotes" remete à ideia de traição e quebra de confiança, em referência à suposta cooptação de agentes públicos para favorecer a atuação da organização criminosa investigada. A denominação simboliza, assim, o desvio de lealdade funcional e o uso indevido da função pública em benefício de atividades ilícitas.