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    Brasileiro preso por ligação com Hezbollah muda versão em depoimento e diz que recebeu oferta de US$ 100 mil para matar

    Abordagens teriam sido feitas por pessoas ligadas ao grupo e aponta “Mohamad”, um sírio naturalizado brasileiro apontado pela investigação da PF como o principal elo do Hezbollah no Brasil e que está foragido

    Elijonas Maiada CNN

    Em Brasília

    Um dos três brasileiros presos pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o grupo radical islâmico Hezbollah mudou sua versão inicial e afirmou agora em depoimento que foi aliciado para realizar um atentado no Brasil, tendo recebido uma oferta de embolsar mais de US$ 100 mil (cerca de R$ 550 mil) para matar pessoas.

    A CNN teve acesso a esse novo depoimento, prestado no dia 22 à Divisão de Enfrentamento ao Terrorismo da PF.

    O preso, que é um músico carioca, disse ter sido questionado se fazia parte de alguma facção criminosa e se seria capaz de cometer assassinatos. Respondeu que não.

    As abordagens teriam sido feitas por pessoas ligadas ao grupo e aponta “Mohamad”, um sírio naturalizado brasileiro apontado pela investigação da PF como o principal elo do Hezbollah no Brasil e que está foragido.

    Messias relatou no depoimento que respondeu às abordagens sempre negativamente. O músico disse que, em uma das ocasiões, um indivíduo insistiu perguntando se ele “não seria capaz de matar mesmo por muito dinheiro, por 100 mil dólares ou mais”, no que ele respondeu “novamente que não”, conforme a transcrição das declarações feitas à PF.

    O preso disse que mudou a versão no depoimento porque no primeiro momento estava com medo, assustado e surpreso.

    Nesse novo depoimento, disse que queria retificar as informações prestadas anteriormente dando detalhes da viagem ao Líbano.

    Na primeira versão disse que tinha sido convidado para ir ao Líbano “em razão da música” e “para cantar pagode”. A PF não acreditou.

    Hotel de luxo e pagamentos em dinheiro

    Em seu novo depoimento, o brasileiro afirmou que seu recrutador pagou as passagens para Beirute, buscando-o no aeroporto e o levando a um hotel de luxo em frente ao mar.

    Ele disse que, “em certo momento da viagem, me procurou para saber se estava tudo bem”. Ele respondeu que estava passando por dificuldades porque era ele quem sustentava a família e estava distante. É que aproveitou para pedir a que fizesse um depósito de R$ 500 na conta da sua mulher.

    O investigado disse então ter passado os dados bancários da conta da sua esposa e que ele posteriormente confirmou com a esposa o crédito na conta.

    Operação

    No dia 8 de novembro, uma operação da PF prendeu inicialmente duas pessoas em uma operação para desmembrar uma suposta célula do grupo radical islâmico Hezbollah que estaria planejando ataques a alvos judaicos no Brasil. Um brasileiro foi preso na semana seguinte, em um desdobramento da primeira operação, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

    No dia da prisão, outro preso afirmou à PF em depoimento que, em viagem que fez a Beirute em abril após ser recrutado no Brasil, encontrou-se reservadamente com o que seria um chefe da organização que lhe disse que “precisava de gente capaz de matar e sequestrar”.

    A PF procura avançar nas investigações sobre a eventual presença do Hezbollah no Brasil a partir da colheita de depoimentos e de provas obtidas em busca e apreensão de endereços de pessoas ligadas, bem como de informações em nuvem de aparelhos celulares e outros sistemas eletrônicos dos detidos, segundo fontes da PF.