Caiado: estamos reabrindo porque temos leitos disponíveis, não por achismo

Em entrevista para a CNN, governador de Goiás disse que rápida ação no início da pandemia trouxe cenário favorável para a reabertura

Da CNN, em São Paulo

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Assim como o estado de São Paulo, Goiás vai iniciar o processo de reabertura do comércio. Em entrevista para a CNN nesta segunda-feira (20), o governador goiano, Ronaldo Caiado (DEM), disse que a decisão não foi tomada por pressão ou receio de impactos econômicos, mas baseada em dados científicos e favorecida pelo que classificou de rápida ação no início da pandemia do novo coronavírus.

“Aqui não tem achismo”, disse Caiado. “As flexibilizações que nós fizemos aqui são todas previsíveis, dentro de critérios científicos. Temos aqui um suporte muito maior de leitos a oferecer do que aqueles que já estão ocupados.”

Segundo o governador, o estado tem um mapeamento para decidir o que pode ou não voltar a funcionar, e essa decisão será tomada com base em dados de saúde.

“Isso será reavaliado diariamente, sustentados em dados epidemiológicos. No momento, nós estamos com excedente de vagas nas UTIs, o  que garante a possibilidade de retomar atividades da construção civil, mineradoras e setor de higiene, sempre seguindo exigências e um protocolo para normatizar atividades”, afirmou.

Caiado lembrou que Goiás baixou quarentena ainda no dia 19 de março, que foi prorrogada, segundo ele, para que a rede de atendimento no interior do estado pudesse ser reorganizada.

Bolsonaro e Mandetta

Caiado também falou sobre sua relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com quem rompeu por conta de divergências em relação à condução da crise do coronavírus. Segundo Caiado, a decisão de reabrir o comércio não é um aceno ao presidente, que tem defendido a retomada de atividades hoje restritas por não serem consideradas essenciais.

“Existe confusão de cenários. Comecei propondo a quarentena, não avaliei minhas posições por achismo. Sou médico e estudo. Sempre pautei minhas decisões em estudos científicos e com pessoas do meio. Ser amigo pessoal não me condiciona a seguir medidas do presidente”, afirmou.

Caiado reiterou sua relação de “longa data” com sua relação com Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde, e disse que sua indicação ao ministério foi técnica, apesar de Mandetta ser político. “Ele é uma pessoas estudada e inteligente, foi a indicação de toda a classe médica”, disse o governador.

Durante a entrevista, foi exibido trecho de vídeo em que o ministro da Saúde, Nelson Teich, disse que o Brasil vai ampliar sua capacidade de testes para a COVID-19 e anunciou a compra de 3.300 respiradores. Segundo Caiado, “tudo que Teich falou estava contratado pelo Mandetta”.

“Só aumentou o número de testes, uma vez que o laboratório já estava contratado. Quanto ao anúncio da chegada de respiradores, a compra havia sido feita, mas foram bloqueadas na escalas de voo. A falta deles, inclusive, é o motivo de termos feito a quarentena, uma vez que não tínhamos infraestrutura e estamos começando a nos equipar agora”, afirmou.

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