Capital paulista tem maior número de presos em seis anos
De janeiro a julho, 26.661 infratores foram detidos em flagrante ou por mandado judicial em São Paulo; especialistas criticam militarização da segurança pela superlotação de presídios

Nos sete primeiros meses deste ano, a cidade de São Paulo registrou o maior número de presos em seis anos. Até julho, foram presos 26.661 suspeitos, de acordo com os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgados nesta sexta-feira (29).
O número é 8% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando cerca de 24 mil foram detidos. A área central da cidade concentrou a maior quantidade de pessoas presas neste ano: 4.631 — quase a metade em flagrante.
No mesmo período, até julho, a quantidade de roubos, o que inclui carga e a banco, chegou ao menor patamar dos dados analisados. A Polícia Civil registrou 59.867 roubos na capital paulista. Em comparação com janeiro a julho de 2024, a redução foi de 13,6%, quando aconteceram 69.334 delitos dessa natureza.
O delegado Carlos Eduardo de Carvalho, responsável pela 1ª Seccional, disse que o aumento das prisões e diminuição dos roubos é o trabalho integrado com a Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana.
“É o combate incansável ao tráfico de drogas, com foco especialmente no traficante, além do combate aos crimes patrimoniais e de receptação, com desenvolvimento de grandes operações e mais patrulhamento preventivo”, destacou.
Superlotação e militarização da polícia
Em um ano, a população carcerária do estado de São Paulo cresceu em mais de 10.500 presos, de acordo com dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Em 5 anos, o aumento é de 10%. Nove a cada 10 penitenciárias estão em superlotação.
Em entrevista à CNN, Bruno Shimizu, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP), afirma que a superlotação dos presídios está ligada à militarização das forças de segurança e aumento das prisões em flagrante.
Em sua análise, a ação combate apenas os crimes de menor complexidade e não atua contra o crime organizado e de maior impacto na segurança pública. O baixo investimento em polícia investigativa levaria à maior prisão de infratores de baixa periculosidade.
Na zona Norte de São Paulo, nas regiões da Freguesia do Ó, Carandiru, Casa Verde, Jaçanã — na 4ª Seccional —, os roubos caíram 22% neste ano, passando de 7.616 para 5.935. No período, entre janeiro e julho deste ano, 3.520 pessoas foram detidas na área — um aumento de 17,8%, segundo dados da pasta.
Na mesma região, a maior parte dos presídios estão com mais presos do que a infraestrutura suporta. Em geral, 54% da população carcerária do estado está acima da capacidade, segundo dados da Secretaria.
A promessa do governo de São Paulo é inaugurar duas novas unidades de prisão até o final deste ano.


