Casal acusado de exploração sexual de mulheres em terra Yanomami é preso em Roraima

Francisco Félix de Lima e Thaliny Nascimento Andrade são alvos da Polícia Federal (PF) em um inquérito que investiga casos de exploração sexual

Bruno Laforé, da CNN, em São Paulo
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Policiais da Divisão de Inteligência e Captura de Roraima prenderam, na tarde de segunda-feira (5), um casal foragido desde março deste ano.

Thaliny Nascimento Andrade, de 22 anos, e Francisco Félix de Lima, de 48 anos, são alvos da Polícia Federal (PF) em um inquérito que investiga casos de exploração sexual de mulheres e adolescentes em regiões de garimpos ilegais em terra indígena Yanomami.

Thaliny e Francisco foram detidos em uma casa da Zona Oeste de Boa Vista após os agentes receberem uma denúncia anônima. Ambos foram, posteriormente, encaminhados à PF, para que fosse cumprido o mandado de prisão que estava em aberto.

Em março deste ano, a PF deu início à operação Palácios para cumprir quatro mandados de busca e apreensão e mais quatro de prisão temporária. Na ocasião, duas irmãs foram detidas na capital de Roraima e o casal não foi localizado.

Segundo a PF, o grupo estaria envolvido na logística e operacionalização de um esquema de envio de mulheres e adolescentes para garimpos ilegais situados em território indígena Yanomami, onde seriam exploradas sexualmente.

Segundo a investigação, os criminosos usavam perfis falsos em redes sociais para contatar as vítimas. Um motorista as buscava num ponto de encontro e levava até uma pista clandestina de onde o restante do transporte era concluído por avião.

A PF divulgou que as condições de vida na região de garimpo eram precárias e que as mulheres eram, posteriormente, cobradas pelo valor de R$ 10 mil, referentes aos custos do transporte.

No dia 15 de março deste ano, a PF resgatou uma menina de 15 anos, que estava em uma embarcação com outras mulheres aliciadas pela mesma quadrilha, num ponto onde o garimpo ilegal atua. A mãe da adolescente havia registrado o desaparecimento no dia 12 de fevereiro.

Em depoimento, a jovem disse que foi abordada em uma rede social para ser cozinheira e transportada de avião no dia seguinte ao contato por meio da internet. Ela passou cerca de 20 dias no local e denunciou que foi prostituída e vítima de violência física.