Caso Henry: irmã do vereador Jairinho deve ser ouvida pela polícia

Ela e mais duas pessoas citadas no novo depoimento da babá da criança devem prestar esclarecimentos aos investigadores do caso nos próximos dias

Isabelle Saleme e Ana Lícia Soares, da CNN, no Rio de Janeiro

Ouvir notícia

A polícia vai ouvir nesta quarta-feira (14) a irmã do vereador Dr. Jairinho, Thalita. Esta é a primeira vez que ela é chamada para depor no inquérito que apura a morte do menino Henry Borel, de quatro anos. A babá da criança, Thayná de Oliveira Ferreira, disse aos investigadores que a irmã do político teria pedido que ela contasse tudo o que sabia sobre o caso antes do primeiro depoimento dado a polícia, no dia 24 de março, pouco mais de duas semanas depois da morte da criança.

De acordo com a babá, foi Thalita quem ligou para comunicar a morte de Henry, sem dar muitos detalhes do motivo. “Foi Thalita, irmã de Jairinho, que lhe informou que Henry havia passado mal e faleceu; Que a declarante (Thayná) disse que perguntou: “como assim, passou mal e morreu? É uma criança”; Que Thalita confirmou que Henry tinha passado mal e morrido e logo desligou o telefone”, consta no termo de declaração, obtido pela CNN.

Ainda segundo o novo depoimento, prestado a polícia na última segunda-feira (12), dias depois da morte, a irmã de Jairinho pediu que ela e a funcionária da casa, Leila Rosângela de Souza, fossem até o escritório do advogado de Jairinho. Lá, segundo a versão de Thayná, ela teria sido orientada por Monique Medeiros, mãe de Henry, a mentir para a polícia e a apagar as mensagens trocadas com o casal.

A babá relatou aos investigadores que, dias depois, antes do primeiro depoimento, Thalita confirmou se as mensagens haviam mesmo sigo apagadas. A irmã de Jairinho também perguntou, segundo o depoimento de Thayná, exatamente o que a funcionária sabia sobre a relação de Jairinho com Henry e pediu para ela não dar detalhes à polícia.

“Que Thalita pediu para que a declarante contasse tudo o que sabia; Que a declarante, então, começou a contar, porém, quando ainda estava narrando as circunstâncias da segunda ocasião em que Jairinho agrediu Henry, Thalita mandou que a declarante parasse de contar; Que a declarante sabia que seu depoimento em sede policial estava próximo e que queria falar a verdade, pois estava com medo, porém Thalita, então, disse para a declarante não ser juíza do caso do irmão dela, que “menos é mais”, dando a entender que não era para a declarante falar tudo que sabia, que todos já estavam sofrendo muito”, consta no depoimento de Thayná à polícia.

Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros; polícia investiga ela e padrasto, o deputado Dr. Jairinho, pela morte da criança
Foto: Reprodução/CNN Brasil

Além de Thalita, os investigadores também devem ouvir a funcionária do lar. Na segunda suposta agressão citada no depoimento pela babá, do dia 12 de fevereiro, Leila também estaria presente no imóvel. De acordo com Thayná, a colega de trabalho ainda perguntou a Henry se ele havia machucado o pé, depois de a criança ter reclamado de dor no joelho. Na ocasião, ainda de acordo com o relato, Henry respondeu que seria pela “banda”, sem explicar direito o que teria acontecido.

Já a avó materna do menino, Rosângela Medeiros, será ouvida porque, no depoimento, a babá disse que contou a ela sobre os episódios investigados de agressão. No relato, Thayná diz que listou a avó da criança que Henry “estava mancando, com dor na cabeça e com um roxo”.

Ainda nos próximos dias, o pai da criança, Leniel Borel, deve ser ouvido novamente. Além disso, existe a possibilidade de Monique Medeiros prestar um novo depoimento, já que trocou de advogado e defesa informou que seguirá uma nova linha.

O inquérito da morte do menino Henry deve ser concluído na semana que vem. A princípio, as acusações são de tortura e homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.

Mais Recentes da CNN