“Guarde produto em local seguro”, aconselha Padilha sobre caso Ypê

Ministro da Saúde orientou consumidores a não utilizarem itens afetados enquanto empresa conclui recolhimento

Manuella Dal Mas e Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, em São Paulo e em Brasília
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, orientou consumidores a manterem guardados em local seguro os produtos da Ypê atingidos pela decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enquanto a empresa realiza o recolhimento dos lotes afetados.

As declarações foram dadas após a Anvisa determinar a suspensão da fabricação, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca, além do recolhimento dos lotes afetados. A medida atingiu produtos com numeração final 1 e foi adotada após inspeção identificar falhas consideradas críticas no processo produtivo.

Na última sexta-feira (8), no entanto, a Ypê informou que apresentou um recurso à Anvisa contra a resolução que suspendeu a fabricação e comercialização de determinados produtos da marca. Com o recurso, a medida da Agência foi automaticamente suspensa.

“Enquanto a empresa não recolhe isso, a minha sugestão é que você guarde esse produto em um local seguro. A quantidade de produto é importante para ter o destino adequado e para ter o ressarcimento desse produto. O SAC da empresa está insuficiente, está congestionado, a Anvisa certamente vai reforçar isso”, declarou.

Segundo o ministro, preservar os produtos pode ser importante tanto para o descarte correto quanto para eventual ressarcimento ao consumidor.

A orientação ocorre em meio ao aumento da procura de consumidores por informações sobre troca, devolução e riscos relacionados aos produtos afetados. Padilha afirmou ainda que o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa enfrenta sobrecarga.

O ministro ainda mencionou episódios anteriores envolvendo a própria empresa e ressaltou que esse tipo de ocorrência funciona como alerta sanitário para possíveis falhas no processo produtivo.

“A própria empresa no final do ano passado chegou a identificar em seu lote a presença de uma bactéria que não deveria estar no produto. É um sinal importante porque é um indicador de contaminação em várias etapas da produção”, declarou.

Segundo Padilha, a Diretoria Colegiada da agência deve analisar nesta quarta-feira (13) o caso com maior profundidade.

“Vai analisar a partir das evidências, dos dados. São evidências recorrentes. Vai avaliar as medidas a serem feitas”, afirmou.

Entenda o caso

A Anvisa suspendeu na última quinta-feira (7) a fabricação, comercialização, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida também determinou o recolhimento dos produtos afetados.

A decisão atingiu todos os lotes com numeração final 1 e foi tomada após inspeção realizada em parceria com órgãos da vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo, no interior paulista.

Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, incluindo falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação e podem levar à contaminação microbiológica dos produtos.

Na sexta-feira (8), a Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução. Com isso, a decisão da Anvisa passou a ter efeito suspensivo até análise da Diretoria Colegiada da agência, prevista para ocorrer nos próximos dias.

Mesmo após obter a suspensão temporária da medida, a empresa informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos responsáveis pelos produtos envolvidos no caso.

A Anvisa orienta consumidores que possuem produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre recolhimento ou substituição dos itens.