Injeção letal em UTI no DF teve simulação de socorro e confissão; entenda

Técnicos de enfermagem foram presos por mortes no Hospital Anchieta; investigação aponta uso de desinfetante e medicamentos em doses fatais

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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Três técnicos de enfermagem assumiram que atuaram na aplicação de injeções fatais em ao menos três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Eles foram presos pela PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal).

O técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, acessava o sistema hospitalar fingindo ser médico para prescrever substâncias indevidas.

Ele preparava as doses, as escondia no jaleco e as injetava nos pacientes enquanto as colegas Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva vigiavam a porta.

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Para evitar suspeitas, o técnico realizava manobras de massagem cardíaca nos pacientes que entravam em colapso, simulando uma tentativa legítima de reanimação perante a equipe médica.

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Suspeita, negação e admissão de culpa

O hospital identificou as irregularidades através de um comitê interno após notar pioras súbitas atípicas.

Embora tenham negado o envolvimento inicialmente, os suspeitos confessaram os crimes após serem confrontados pela polícia com imagens das câmeras de segurança instaladas nos leitos.

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A investigação, denominada Operação Anúbis, revelou que os crimes envolviam a aplicação de doses letais de medicamentos e desinfetante. Em um dos casos, o técnico teria injetado desinfetante mais de dez vezes em uma idosa de 75 anos após ela sofrer paradas cardíacas.

Os três foram demitidos e respondem por homicídio qualificado. A polícia segue apurando se houve outras vítimas.

O que dizem as partes

A defesa técnica de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo enfatiza o princípio constitucional da presunção de inocência, destacando que o caso ainda se encontra em fase de inquérito e que não há uma sentença condenatória ou denúncia formalizada. Em nota oficial, os advogados classificam as informações divulgadas como "narrativas especulativas" que antecipam um juízo de culpa indevido.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O espaço segue aberto.