Megaoperação contra PCC chegou "ao andar de cima", diz Haddad

Ministro afirmou que há uma "sofisticação do crime organizado" e defendeu que o governo intensifique a atuação contra fraudes

Leticia Martins e Elijonas Maia, da CNN, São Paulo e Brasília
Compartilhar matéria

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), declarou que a megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), realizada nesta quinta-feira (28), foi "exemplar" e "conseguiu chegar no andar de cima" do crime organizado. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva em Brasília para divulgar detalhes sobre a ação.

Segundo o ministro, "contra o crime organizado é preciso haver resposta organizada" e, para isso, "contou-se com a investigação da Polícia Federal e com a fiscalização da Receita Federal".

Nesta manhã, uma força-tarefa envolvendo Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal e polícias Federal, Civil e Militar e outros órgãos cumpriu mandados nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina contra rede ligada ao PCC que adulterava combustíveis e realizava lavagem de dinheiro. Os alvos são acusados de fraudes fiscais, ambientais e econômicas.

Foram deflagradas três operações contra o avanço do crime organizado no setor de combustíveis: a Polícia Federal coordenou as operações Quasar e Tank, enquanto o Ministério Público de São Paulo coordenou a Operação Carbono Oculto. As ações contaram com milhares de agentes de órgãos de segurança em diversos estados brasileiros, em operações simultâneas contra a facção criminosa e a ligação com o setor financeiro.

Haddad declarou ainda que há uma "sofisticação do crime organizado hoje que exige da Receita que nós consigamos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado. São muitas camadas".

Segundo as investigações, o esquema criminoso com participação do PCC prejudicou não apenas os consumidores que abasteciam seus veículos, mas também afetou toda a cadeia econômica do setor. Apenas em sonegação de impostos, o prejuízo estimado é de R$ 7,6 bilhões.

Entre 2020 e 2024, cerca de 1.000 postos de combustíveis ligados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões. Uma fintech usada como espécie de banco paralelo pela organização, sozinha, registrou operações de R$ 46 bilhões sem rastreabilidade nesse mesmo período.

Atuação contra fraudes

Durante a coletiva, Haddad ainda defendeu que o governo federal intensifique a atuação contra fraudes e mecanismos financeiros utilizados pelo crime organizado.

"Você deixar uma equipe exclusiva para decifrar a fraude estruturada, que conta com mecanismos financeiros sofisticados, é a maneira correta de usar a inteligência do Estado para chegar aos líderes do crime. Assim você seca a fonte dos recursos, para impedir que a atividade criminosa seja abastecida", disse o ministro.

"Se você prende uma pessoa, mas o dinheiro fica à disposição do crime, essa pessoa é substituída por outra. Estamos falando de operações que bloquearam mais de 100 imóveis, veículos e patrimônios que podem chegar aos bilhões. Assim você efetivamente estrangula o crime", acrescentou.