Pacientes mortos no DF: perícia em celular deve mostrar motivação de crimes
Mensagens de aparelhos devem ser extraídas para ajudar em investigações; técnicos de enfermagem são investigados pela morte de três pessoas no Hospital Anchieta

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que a motivação dos técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), será descoberta por meio da extração de mensagens dos celulares dos investigados.
A informação foi confirmada à CNN Brasil pelo delegado Maurício Lacozilli na manhã desta terça-feira (20).
Os profissionais Marcos Vinícius Silva, Amanda Rodrigues e Marcela Camilly Alves são os alvos das investigações da corporação pela morte de três pessoas. As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, Miranilde Pereira da Silva, de 75, e Marcos Moreira, de 33.
Entre os detalhes das apurações policiais, Marcos, de 24 anos, aparece como um técnico de enfermagem que atuava no hospital há cinco anos. Ele teria sido responsável por injetar desinfetante mais de dez vezes na idosa, de 75 anos, em um só dia.
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A CNN Brasil separou os princpais pontos do caso que segue sob investigação. Entenda abaixo:
Injeção letal e "disfarce do crime"
De acordo com as apurações policiais, os suspeitos aplicavam medicamentos de forma irregular na veia dos pacientes. Marcos Vinícius é investigado por administrar doses letais de remédios a pacientes internados na UTI, com o objetivo de matá-los.
As investigações apontam que o técnico aguardava a reação dos enfermos, que sofriam parada cardíaca. Além disso, devido a presença de outros integrantes no quarto, ele realizava manobras de reanimação na vítima. O intuito era "disfarçar" o crime.
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Invasão de sistema do hospital
A polícia ainda descobriu que em um dos casos, o técnico usou a conta de um médico para acessar o sistema do hospital. A partir da primeira entrada, ele prescreveu um medicamento errado. Além disso, teria ido até a farmácia para buscar os remédios, os preparado, e escondido no jaleco para aplicar na veia dos pacientes.
As aplicações ocorreram em duas datas: 17 de novembro do ano passado e 1º de dezembro.
Quem são as investigadas
Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 e 28 anos, são investigadas por negligência e possível coautoria nos crimes.
Conforme apontam as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas era amiga de longa data de Marcos. Já Marcela era nova na instituição e recebia instruções do técnico acerca do serviço no setor.
Segundo a polícia, elas seriam responsáveis por observar a porta para que ninguém entrasse. Assim, teriam auxiliado em dois dos casos investigados.
Prisões e demissões
De acordo com Márcia Reis, diretora do IML (Instituto Médico Legal), os pacientes que morreram apresentavam gravidades diferentes de quadro clínico. As suspeitas tiveram início após a piora súbita em momentos repetidos.
Assim que o hospital detectou conduta suspeita, os envolvidos foram demitidos e as autoridades foram notificadas. O crime foi descoberto após a análise de câmeras de segurança dos leitos e prontuários médicos dos pacientes. As famílias foram informadas sobre o ocorrido.
Ainda segundo a polícia, quando interrogado, o técnico de enfermagem negou as acusações, mas confessou após ver os vídeos das ações.
Os três técnicos de enfermagem foram demitidos após a apuração, e as famílias das vítimas foram notificadas, sendo fornecidas as explicações necessárias de forma transparente e cuidadosa. Os profissionais da saúde foram presos durante cumprimentos de mandados da "Operação Anúbis".
O que dizem as partes
A defesa técnica de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo enfatiza o princípio constitucional da presunção de inocência, destacando que o caso ainda se encontra em fase de inquérito e que não há uma sentença condenatória ou denúncia formalizada. Em nota oficial, os advogados classificam as informações divulgadas como "narrativas especulativas" que antecipam um juízo de culpa indevido.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O espaço segue aberto.
O que diz o Coren-DF
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal se manifestou sobre os acontecimentos.
Veja nota na íntegra:
"O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal.
Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.
Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.
O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida."
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

