Mulher pede dipirona durante ligação com PM para denunciar agressão em MS

Polícia atendeu vítima após identificar pedido de socorro disfarçado em ligação codificada; dias depois, ela ligou novamente para agradecer

Giovanna Machado, da CNN*
Vítima de violência doméstica simula pedido de remédio para acionar a PMMS  • Reprodução/PMMS
Compartilhar matéria

Uma mulher vítima de violência doméstica foi socorrida pela Polícia Militar após ligar para o 190 e pedir, discretamente, por uma “dipirona”. O caso, que ocorreu em Campo Grande, no mato Grosso do Sul, foi divulgado nesta terça-feira (5) pela corporação. O homem suspeito foi preso em flagrante. 

A ligação, recebida pelo COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar), chamou atenção dos agentes. Mesmo com a frase aparentemente banal — “Alô… eu preciso de uma dipirona” —, os policiais compreenderam que se tratava de um pedido de socorro. A gravação foi publicada nas redes sociais da PM, com a voz modificada para preservar a identidade da vítima. 

Durante a conversa, o policial que atendeu à ocorrência passou a fazer perguntas codificadas para entender melhor a situação:

— “A senhora confirma aí, se for positivo a informação, a senhora fala dipirona novamente. É seu marido?”, perguntou.

— “Sim, é a dipirona, sim”, respondeu a vítima.

— “Agora fala a intensidade da agressividade aí, a senhora miligramas, 10 miligramas, 20 miligramas ou 30 miligramas. Qual é a intensidade da agressividade dele?”

— “30”, finalizou.

Veja a conversa completa: 

Dias após o ocorrido, a vítima ligou novamente para o batalhão, dessa vez para agradecer o acolhimento e a resposta rápida. “O socorro chegou a tempo”, destacou a corporação.

Em contato com a CNN, a PMMS disse que os atendentes "são policiais militares experientes, com histórico de atuação na radiopatrulha e contato direto com vítimas de violência doméstica". Além disso, esclareceu que eles recebe, treinamentos especializados, como técnicas estudos de casos reais, o que os capacita para "identificar com maior precisão situações de risco e prestar um atendimento mais sensível e eficaz".

O homem foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde foram adotadas as providências cabíveis.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo