Entenda como morte de advogado fez PF chegar a grupo de extermínio
Roberto Zampieri foi morto a tiros no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá (MT), em 5 de dezembro de 2023
O advogado Roberto Zampieri, de 58 anos, é a vítima que fez surgir a investigação da PF contra uma organização criminosa que planejava matar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades.
A ação foi desencadeada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (28). Zampieri foi morto a tiros no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá (MT), em 5 de dezembro de 2023. Ele estava em uma picape Fiat Toro quando foi atingido pelo executor, que fez diversos disparos de arma de fogo.
Durante a investigação, a Polícia Civil identificou todos os envolvidos no assassinato, além do mandante: o executor, o intermediário e o financiador do crime. Os responsáveis pela execução foram presos no início de 2024 no estado de Minas Gerais e depois transferidos a Cuiabá.
Em março do ano passado, o mandante do crime, um fazendeiro de 73 anos de Rondonópolis, foi preso temporariamente. Porém, ele foi liberado posteriormente pela Justiça mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
O mandante também foi alvo de mandado de busca para apreensão de celulares em abril de 2024, mas a polícia apurou que ele e a esposa já haviam trocado os aparelhos, que eram diferentes daqueles usados na época do homicídio do advogado.
O caso foi investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP), que concluiu o inquérito policial em 9 de julho de 2024. O fazendeiro foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, crime praticado mediante emboscada, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e mediante recompensa.
O intermediário do crime foi identificado como Etevaldo Luiz Caçadini, um coronel da reserva do Exército. O inquérito não reuniu elementos suficientes para o indiciamento da esposa do mandante, que também era investigada.
Na época, o delegado responsável, Nilson André Farias, explicou que a motivação do crime envolveu uma disputa agrária na região de Paranatinga, onde o fazendeiro tem uma propriedade rural. A área, objeto da disputa que o casal perdia para Roberto Zampieri, que representava a parte adversária, é avaliada em R$ 100 milhões.
A investigação apontou ainda que a família dos investigados estava em posse da fazenda há cerca de 20 anos, mas havia uma discussão em relação ao título de propriedade da área.
Quando o casal percebeu que poderia perder a terra e, acreditando em uma proximidade da vítima com quem competia decidir a causa agrária, decidiu contratar uma pessoa para executar o advogado.
"Agência de extermínio"
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira (28) cinco integrantes de uma "agência de extermínio" que cobrava R$ 250 mil para monitorar e matar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades.
A tabela de preços também previa o valor de R$ 150 mil se a vítima fosse senador e R$ 100 mil se a vítima fosse deputado. A operação da PF foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF.
A descoberta do grupo ocorreu no âmbito de uma investigação - que tramita em sigilo - sobre venda de sentenças por servidores do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O advogado Roberto Zampieri, figura central do esquema, foi morto a tiros no Mato Grosso por essa mesma organização, segundo fontes da PF a par do caso.
Autodenominada "Comando C4" (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos), a agência era composta por civis e militares da ativa e da reserva.


