Cerca de 20% da população de rua do Rio perdeu a casa com início da pandemia

Homens negros com menos de 50 anos são maioria

Maioria de população de rua que ficou sem moradia durante a pandemia são homens negros com menos de 50 anos
Maioria de população de rua que ficou sem moradia durante a pandemia são homens negros com menos de 50 anos Foto: Divulgação

Beatriz Puente e Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro

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No Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, entidades apontam para o aumento desse grupo nas cidades. No Rio de Janeiro, cerca de 20% do total de pessoas identificadas pelo censo da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) responderam ter ido para as ruas depois do início da pandemia da Covid-19.  

O perfil predominante da população de rua é de homens, negros, com idade entre 18 e 49 anos, e um grande percentual (40,1%) são de fora do Rio. Mais de 60% não concluíram o ensino fundamental. Atualmente, são mais de 7 mil pessoas em situação de rua, das quais 75,2% (5.469) moram nas ruas e 24,8% (1.803) em unidades de acolhimento e comunidades terapêuticas.  

O Instituto LAR, organização não governamental que atua desde 2016 no Rio de Janeiro na reinserção e emancipação das pessoas em situação de rua na sociedade, levantou que 95% dos moradores de rua receberam algum tipo de ajuda durante a pandemia.

Até agora, o LAR já arrecadou e preparou mais de 94 toneladas de alimentos, distribuiu mais de 44 mil marmitas e bebidas, mais de 4 mil cestas básicas, mais de 5 mil cafés da manhã, mais de 2 mil banhos e kits de higiene, mais de 4 mil máscaras, impactando mais de 60 mil pessoas em situação de rua. 

A data foi escolhida em memória ao acontecimento conhecido como “Massacre da Sé”, em 2004, no qual sete pessoas foram assassinadas e oito ficaram gravemente feridas enquanto dormiam na região da Praça da Sé, capital paulista.  

Nesta quinta-feira (19), organizações sociais realizam ações voltadas para o acolhimento e reinserção desse grupo na sociedade, desde acesso à documentação, corte de cabelo, alimentação e oficinas culturais.

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