Claudia Costin: Pandemia agravou desigualdade educacional no Brasil

Especialista CNN repercutiu pesquisa que aponta aumento de 66% de crianças não alfabetizadas no país entre 2019 e 2021

Ludmila CandalRenata Souzada CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de crianças de seis e sete anos no Brasil que não sabem ler e escrever cresceu 66,3% entre 2019 e 2021.

“O Brasil já tinha desigualdades educacionais muito fortes, que só fizeram se agravar com dois anos letivos quase inteiros de escolas fechadas”, afirmou a especialista CNN, Claudia Costin.

A especialista ressaltou que o processo de alfabetização, apontado pela pesquisa, é um dos mais complexos de serem realizados de forma remota. Além disso, muitas crianças enfrentaram dificuldade de acompanhar aulas em casa.

“Garantir alguma aprendizagem em casa, com a dificuldade de acesso a equipamentos, conectividade, mesmo livros, foi muito difícil”, avaliou.

A situação é ainda mais grave fazendo um recorte de classes, segundo Costin. No caso de famílias de classe média, muitos dos pais conseguiram trabalhar à distância, estando mais próximos dos filhos e auxiliando na aprendizagem.

Por outro lado, “as famílias em situação de vulnerabilidade não se beneficiaram da presença dos pais. Os pais estavam na rua buscando uma fonte de renda para pôr comida na mesa”, ressaltou.

Para recuperar a educação da crianças brasileiras, a especialista usou o exemplo de alguns municípios que investiram em estratégias de sucesso, como por exemplo utilizar o período de férias para aulas complementares.

Além disso, Costin defendeu que seria ideal “prolongar um pouquinho a jornada escolar para que se tenha tempo tanto de repor as aprendizagens perdidas, quanto de olhar para outras dimensões que essas crianças também perderam”, como a realização de atividades físicas.

Mais Recentes da CNN