COP30

COP30: Negociador-chefe confirma aportes ao Fundo das Florestas Tropicais

Em entrevista exclusiva à CNN, Maurício Lyrio confirmou expectativa do governo federal

Vinícius Murad, da CNN Brasil, Belém
O embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty e negociador-chefe do Brasil na COP30 em entrevista à CNN  • Reprodução/CNN
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O negociador-chefe do Brasil na COP30, embaixador Maurício Lyrio, confirmou que “alguns novos países anunciarão aportes ao TFFF durante a COP30”, o Fundo das Florestas Tropicais. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ele afirmou que “não pode dizer quais são, para não estragar a surpresa”.

O Brasil já havia anunciado uma contribuição de 1 bilhão de dólares para o fundo. Segundo Lyrio, o objetivo é que o mecanismo se torne uma “fonte regular e previsível de financiamento para os países tropicais” — tema que deve dominar as negociações em Belém.

“O financiamento climático é crucial”, disse o embaixador. “Os países desenvolvidos deveriam implementar as suas obrigações em termos de destinação de recursos.”

As declarações refletem o desequilíbrio na destinação de verbas prometidas por nações ricas desde o Acordo de Paris, em 2015. O compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões por ano em financiamento climático ainda não foi integralmente cumprido e deverá ser reavaliado durante a conferência. Há ainda a meta, do chamado roteiro Baku-Belém, de construir um caminho para alcançar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático aos países em desenvolvimento.

“Há uma necessidade de reconstruir a confiança entre os países”, afirmou Lyrio. “Os países precisam entender que o sucesso de um depende do outro.”

O negociador também ressaltou que o Brasil busca exercer papel de ponte nas negociações e transformar a Amazônia em um exemplo de desenvolvimento sustentável. “O Brasil tem mostrado disposição para cooperar e para propor soluções. (...) “A Amazônia pode se tornar uma vitrine de soluções sustentáveis.”, afirmou.

A COP30 começa oficialmente na próxima semana, em Belém (PA), e marca o início do segundo ciclo de compromissos do Acordo de Paris. A conferência deve concentrar esforços em torno de novas metas de mitigação, adaptação e financiamento climático — uma agenda que, segundo Lyrio, ainda depende de maior responsabilidade dos países mais ricos.