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    Cresce número de Unidades de Conservação da Mata Atlântica, mas índice ainda é baixo

    Segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica, 75% do bioma não tem qualquer controle governamental

    Desmatamento cresce em 30% na Mata Atlântica
    Desmatamento cresce em 30% na Mata Atlântica Foto: Divulgação/SOS Mata Atlântica

    Rafaella Balieiroda CNN*

    no Rio de Janeiro

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    Novas 416 Unidades de Conservação da Mata Atlântica passam a ser monitoradas no Brasil. O crescimento de 43%, desde 2017, foi divulgado pela ONG SOS Mata Atlântica. Apesar do crescimento ser significativo, o levantamento informou que desse total apenas 159 foram criadas nos últimos cinco anos – o restante já existia, mas estava fora do mapeamento no Sistema de Unidades de Conservação do país.

    Entre os 17 estados cobertos pelo bioma, abrangendo 3.429 municípios, o Paraná (127), o Rio de Janeiro (114) e São Paulo (61) registraram os acréscimos mais significativos no reconhecimento das novas unidades fiscalizadas.

    Apesar disso, a maior área de Mata Atlântica fica fora desses territórios – o Mato Grosso do Sul acumula mais de 342 mil hectares do bioma, mas perde quando o assunto é conservação: apenas 9 unidades de conservação estão registradas no estado do Centro-Oeste.

    De acordo com a organização que gerencia o levantamento, essas unidades são importantes para a preservação da floresta. Dentre as 1388 que são monitoradas, apenas 329 compõem o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC) – plataforma de controle e de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente. Essa defasagem de 75% de unidades registradas ainda acende um alerta: outros biomas do país também podem estar sofrendo com uma negligência de monitoramento.

    Para a CNN Brasil, Diegmeio ao Igawa Martinez, coordenador de áreas protegidas na Fundação SOS Mata Atlântica, avaliou o cenário de acesso às informações dessas áreas.

    “Existem diversas dificuldades para que as informações sobre as áreas protegidas pelos municípios sejam disponibilizadas para a sociedade, mas isso é fundamental não apenas para o planejamento da conservação, mas também para orientar o planejamento das cidades, para o licenciamento de empreendimentos e para estimular o contato da população com o seu patrimônio ambiental”, comentou.

    Das 157 cidades ouvidas pela pesquisa, 80% afirmaram ter algum interesse em desenvolver novas unidades de conservação. A organização ainda tentou contato com outros 1342 municípios que são cobertos pelo bioma, mas não teve resposta.

    Em relação ao potencial de preservação, o estado do Rio Grande do Sul foi o que demonstrou maior interesse em transformar áreas de mata atlântica em unidades de conservação, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte aparecem na sequência, respectivamente. Hoje, apenas, 12,4% da floresta é original.

    “Além da proteção dos ecossistemas, espécies e paisagens, essas áreas também podem ser utilizadas como estratégias de planejamento mais amplas, uma vez que trazem instrumentos para a proteção da água, para o ordenamento da expansão urbana, para a prevenção de acidentes em áreas de risco e conferem aos municípios mais resiliência para o enfrentamento das mudanças climáticas”, concluiu o coordenador.

    *sob supervisão de Helena Vieira

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