Cristiano Girão, ex-vereador do Rio de Janeiro, é preso em São Paulo

Investigação aponta Girão como mandante do assassinato de ex-policial ligado à milícia

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro

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O ex-vereador pelo Rio de Janeiro Cristiano Girão foi preso na manhã desta sexta-feira (30) em São Paulo (SP), onde mora. A ação da Delegacia de Homicidios da Capital Fluminense contou com apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic-SP).

Segundo a polícia civil carioca, as investigações apontaram o ex-vereador como mandante do assassinato do ex-policial André Henrique da Silva Souza, conhecido como Zóio, em 2014. O crime teria acontecido por causa da disputa pelo poder da milícia na região da Gardênia Azul, na zona oeste do Rio.

Na época, André Henrique estava com Juliana Sales de Oliveira em um veículo quando foram interceptados por outro carro. Disparos foram feitos e o casal morreu no local. 

As investigações também apontaram que o crime foi executado por Ronnie Lessa, também acusado da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018. O PM reformado também foi alvo da ação desta sexta.

A operação policial aconteceu após trabalho de inteligência, monitoramento e vigilância do acusado, que foi localizado e preso no bairro Pari, área central da cidade de São Paulo, onde residia atualmente. A ação foi realizada pela equipe da DHC, com apoio da Polícia Civil paulista, para cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. 

Girão foi surpreendido quando dirigia seu carro, após ter saído, ainda na madrugada, da loja onde dormia para evitar sua localização. Segundo as investigações, ele passou a adotar tal rotina depois da veiculação de notícia que apontava que havia um pedido de prisão contra ele.

Os agentes também cumpriram um mandado de prisão contra Ronnie Lessa, réu preso, apontado pelas investigações como executor do crime, e diversos mandados de busca e apreensão ligados aos alvos nos estados de São Paulo e no Rio de Janeiro.

Eleito em 2008 como vereador, Cristiano Girão foi preso em dezembro do ano seguinte por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, por comandar a milícia da Gardênia Azul.

A defesa do ex-vereador afirmou à CNN que soube da prisão pela mídia e que não tem “detalhes do processo”, mas ressaltou que irá pedir um habeas corpus para que Girão responde em liberdade. Já o advogado de Ronnie Lessa disse que “não teve acesso a absolutamente nada dessa investigação” e que deverá se manifestar “depois que tiver acesso aos autos”.

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