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    Deputados debatem invasões do MST no Abril Vermelho

    Tema veio à tona após produtores rurais terem se organizado para combater os movimentos da organização e acusarem o governo da Bahia de apoiar as ocupações que ocorrem pelo estado

    Bárbara BrambilaRenata SouzaRafael Saldanha

    Em painel promovido pela CNN nesta quinta-feira (6), os deputados Pedro Campos (PSB-PE) e Evair de Melo (PP-ES) debateram a onda de invasões prometida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) durante o chamado Abril Vermelho.

    O tema veio à tona após produtores rurais terem se organizado para combater os movimentos da organização e acusarem o governo da Bahia de apoiar as ocupações que ocorrem pelo estado.

    Na última segunda-feira (3), cerca de 250 integrantes do MST ocuparam uma área do Engenho Cumbe – pertencente à antiga Usina Cruangi, em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco – e defenderam a promoção de uma reforma agrária na região.

    A ofensiva tem pressionado o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta atrair o setor do agronegócio para perto sem desagradar à base aliada.

    Para o deputado Pedro Campos, “não há dificuldades para o governo Lula nesta questão”.

    “As terras foram desapropriadas pelo governo do estado de Pernambuco, que nelas seria implantado o polo automotivo que acabou indo para Goiânia, então são terras que estão de posse do governo”, disse.

    “A própria cooperativa que toca a Usina Cruangi já afirmou ser favorável à realização reforma agrária nesta área, e que cabe ao Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe) conduzir o processo para que seja feito o assentamento. Todos os atores em Timbaúba são favoráveis à reforma e em muitos outros lugares isso acontece também.”

    Segundo ele, o Brasil, nos últimos quarenta anos, aumentou a produção agrícola por causa da redistribuição de terras, e existe uma possibilidade de ganho “muito grande” para o país caso haja investimento em tecnologias e melhorias para o setor.

    “Isso tudo possibilita a reforma agrária sem conflitos no caminho. O MST tem afirmado que o governo precisa dar celeridade ao processo da reforma agrária.”

    Já para Evair de Melo, a postura do governo Lula reflete uma contradição entre o período eleitoral e a condução após a posse. Na visão do deputado do Progressistas, o presidente teria mudado de viés após a prisão do líder da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), José Rainha.

    “Ele e Zé Rainha são amigos há décadas e, naturalmente, hoje ele está com esse incômodo porque percebeu que estava mal acompanhado e mal informado durante o período eleitoral e, agora de posse do governo, tenta mudar de discurso para se livrar do elefante da sala e esconde a amizade com o Zé Rainha”, afirmou ele.

    “O próprio ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, mudou radicalmente de discurso desde a posse e queremos saber qual é o verdadeiro: se aquele de quando assumiu o ministério, no qual se dizia favorável ao MST, ou o dos últimos dias, no qual se diz contra o MST e invasão de terra.”

    O deputado diz estar “horrorizado” com o atual momento dos movimentos. “No Espírito Santo, estamos uma ameaça iminente de invasão de propriedade produtiva. É lamentável o que o PT e o MST estão fazendo de terrorismo no Sul da Bahia, e ainda tem essa ameaça de ‘abril vermelho’ sem que o governo faça qualquer menção de repúdio”, afirmou.

    Confira o debate na íntegra no vídeo acima. 

    *Publicado por Tamara Nassif