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    Dois em cada três domicílios chefiados por negros sofrem com a fome no país, segundo pesquisa

    Dados foram obtidos pelo recorte de raça e gênero do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (VIGISAN)

    Um estudo divulgado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), nesta quarta-feira (14), detalhou a situação da fome pelos estados brasileiros.
    Um estudo divulgado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), nesta quarta-feira (14), detalhou a situação da fome pelos estados brasileiros. Agência Brasil

    Leandro Resendeda CNN

    Dois em cada três domicílios chefiados por negros no Brasil sofrem com a fome, que além de cor, tem gênero: quando uma mulher negra chefia a casa, a situação é ainda pior.

    Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (26) revela que lares chefiados por pessoas negras são duas vezes mais atingidos pela fome que aqueles chefiados por pessoas brancas – e a situação é ainda mais grave quando uma mulher negra comanda a casa.

    Os dados foram obtidos pelo recorte de raça e gênero do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (VIGISAN), pesquisa que teve os primeiros resultados publicados em junho de 2022 – os dados revelaram que o Brasil tem 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer, número agravado pela pandemia de Covid-19.

    No geral, a pesquisa revela que mais de 60% dos lares chefiados por pessoas autodeclaradas pardas e pretas – a raça negra – sofre com algum tipo de insegurança alimentar no Brasil.

    A insegurança alimentar grave – a fome – atinge mais os lares chefiados por pessoas pretas (20,6%), seguidas de pardos (17%) e brancos (10,6%).

    Quando observamos os casos dos lares chefiados por mulheres pretas, a situação é ainda mais grave: em 70% deles há algum tipo de insegurança alimentar.

    Para Kiko Afonso, da Ação da Cidadania, uma das organizações que apoiaram a pesquisa, os dados revelam a permanência do racismo estrutural no país e são, também, manifestação da desigualdade de gênero.

    Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (“Conselhão”), Afonso defende que o governo intensifique os programas de transferência de renda e que o IBGE investigue a fome no país. “Precisamos da produção constante de dados como estes para poder ter a dimensão real de algo que assola o país”, afirmou.

    A pesquisa realizou entrevistas presenciais, entre novembro de 2021 e abril de 2022, com 12.745 domicílios de 577 municípios brasileiros. Foram contempladas áreas urbanas e rurais de todas as regiões do país.

    Outros recortes

    O recorte de raça e gênero da pesquisa do II VIGISAN 2022 mostra que a maior escolaridade (quando apessoa no comando da família tem 8 ou mais anos de estudo) não protege as famílias chefiadas por mulheres negras da falta de alimentos. 33% dessas sofrem com insegurança alimentar moderada ou grave, comparado com 21,3% de homens negros, 17,8% de mulheres brancas e 9,8% de homens brancos.

    Estar desempregado ou trabalhando no mercado informal também fez diferença no que diz respeito à fome: neste cenário, a fome atinge metade dos lares chefiados por pessoas negras, comparado com um terço dos lares chefiados por pessoas brancas.

    Na condição de desemprego, a insegurança alimentar grave, ou seja, a fome, foi mais frequente em domicílios chefiados por mulheres negras(39,5%) e por homens negros (34,3%).