É perigoso para o jogador de futebol se posicionar no Brasil, diz Aranha

"Eu passei a ser o encrenqueiro, o abusado, depois que denunciei o caso de racismo," disse o ex-goleiro em entrevista para a CNN

Da CNN, em São Paulo

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Durante a Copa do Brasil de 2014, Santos e Grêmio se enfrentaram no Rio Grande do Sul, com vitória do time paulista. Porém, o grande assunto da partida foi o caso de racismo contra o então goleiro santista, Aranha. O caso ganhou grande repercussão, com o Grêmio tendo sido eliminado da competição. O episódio mudou para sempre a história do ex-atleta, que em entrevista para a CNN disse que seu posicionamento mudou sua vida e carreira.

“Eu passei a ser o encrenqueiro, o abusado, depois que denunciei o caso de racismo. Fui perseguido em alguns estádios por aquela situação,” diz o goleiro, hoje aposentado, que diz ser perigoso para um jogador de futebol se posicionar de maneira enfática contra injustiças.

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“A pessoa que decide falar de racismo, acaba escolhendo o lado, e no Brasil dividido isso é tenso e perigoso. Comecei a ter dificuldades profissionalmente, já que ninguém quer ‘trazer o problema para casa’. Muitos me acusam de usar o racismo para me promover profissionalmente, sendo que deixei de jogar por conta disso.”

Em sua visão, o racismo é um mecanismo que atrasa o Brasil, uma vez que o país tem maioria negra, que acaba sendo marginalizada pelo preconceito. “Não dá para um país com a maioria de negros deixá-los para trás. O racismo atrasa nosso processo de evolução como país.”

Ele ainda classifica o racismo como uma “doença”, mas faz a ressalva de que, quando discutidos programas de inclusão racial e cotas, muitas pessoas se doem e criticam as ações. “O mais difícil de falar de racismo no Brasil é porque afeta muitas pessoas. Para muitas pessoas incomoda muito mais ver um negro na universidade do que pedindo esmolas.”

Aranha diz que o Brasil ainda é um país “adolescente” nas discussões raciais, diferentes dos Estados Unidos, que em sua visão estão mais “maduros” para discutir estas questões, “ainda que cometam erros,” faz a ressalva.

O ex-goleiro diz ainda que muito o taxam como chato por citar falar de racismo, mas que diz que só se deve parar de falar sobre o assunto “quando o problema deixa de existir.”

(Edição: André Rigue)

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