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    Enchentes no RS: voluntário relata cenário de guerra durante resgates

    Segundo ele, um dos momentos mais marcantes foi quando uma colega de trabalho e a mãe dela, de 83 anos, ficaram presas no telhado por mais de 20 horas esperando socorro

    Da CNN

    São Paulo

    Samoel Folchini, morador da cidade de Parobé, na região metropolitana de Porto Alegre, ajudou em muitos resgates nos últimos dias após as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. Em entrevista à CNN, ele relatou que a situação é de um “cenário de guerra”.

    Folchini destacou que está diretamente na linha de frente dos resgates e que, embora não seja sua primeira experiência em situações assim, a dimensão dessa tragédia é muito maior.

    Dificuldades nos resgates

    “A gente está aqui, cara, eu não tenho o que falar. Eu me sinto assim grato a Deus por eu poder auxiliar as pessoas, mas, ao mesmo tempo, eu falava com algumas pessoas que estavam conversando comigo hoje, tu está fazendo, mas tu sabe que é só o primeiro socorro, a gente tem muito o que fazer”, relatou.

    Um dos momentos mais marcantes para Folchini foi quando uma colega de trabalho e a mãe dela, de 83 anos, ficaram presas no telhado por mais de 20 horas esperando socorro. Ele contou ser angustiante não conseguir chegar até elas devido às condições climáticas, que impediam a atuação dos helicópteros e barcos.

    “Os primeiros dias foram desesperadores. Nós não tínhamos o que fazer. Sabe que quer tu ter que ficar de braço cruzado? Era desesperador”, disse.

    Resistência em deixar as casas

    Folchini também comentou sobre a dificuldade em convencer algumas pessoas a deixarem suas casas, mesmo com os alertas das autoridades. Ele relatou ter presenciado a situação de dois rapazes que não quiseram sair do apartamento por medo de saques, além de uma amiga que pensou que nada iria acontecer e precisou ser resgatada após ficar 20 horas no telhado.

    “De a cada 10, tu consegue convencer dois. O pessoal não quer sair, o pessoal está lá e não está fácil”, afirmou.

    Apesar de todo o esforço dos voluntários, Folchini disse ser um sentimento de frustração, pois “quanto mais tu faz, parece que tu não fez nada”. Ele ressaltou ser um misto de alegria por poder ajudar, mas também de frustração por não conseguir fazer mais.

    Sobre a atuação do poder público, Folchini afirmou que não está faltando auxílio e que todos estão se ajudando, desde voluntários de outros estados até o governo estadual. Ele também destacou que as necessidades variam segundo a região, mas, em geral, são necessários itens como colchões, roupas de inverno, alimentos, água potável e materiais de limpeza.