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    Entenda como o fenômeno do El Niño poderá afetar o clima com a chegada do outono

    Estação começa nesta segunda-feira (20) às 18h25, trazendo mudanças no regime de chuvas no país

    Avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste favorece períodos mais secos
    Avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste favorece períodos mais secos Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Renata Okumurado Estadão Conteúdo

    Após três anos de influência no clima global, chegou ao fim em fevereiro o fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial, a La Niña. De acordo com o Climatempo, o fenômeno terminou no mês passado, mas seus efeitos ainda podem ser sentidos no início de abril.

    Com isso, tem início a transição para o El Niño, que deve elevar as temperaturas em todo o planeta. Neste caso, o fenômeno se caracteriza por um aquecimento anormal do Oceano Pacífico equatorial.

    O outono começa nesta segunda-feira (20) às 18h25, pelo horário de Brasília, trazendo mudanças no regime de chuvas no país. De acordo com a empresa de meteorologia, no fim do outono, já em junho, o Oceano Pacífico equatorial deverá estar com temperaturas acima da média em toda a faixa, principalmente próximo da América do Sul.

    “O El Niño deverá se instalar de fato a partir de julho, e sua influência será notada a partir de agosto, como o aumento das chuvas na região Sul, diminuição no extremo norte e elevação das temperaturas, que tendem a ficar acima da média na metade da região Norte do país a partir de julho”, acrescenta a Climatempo. “Estima-se que seja um El Niño de intensidade moderada neste período. Estamos monitorando se será de maneira forte no próximo verão”.

    Durante o outono, é comum observar o avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste, que favorece períodos mais secos entre as áreas centrais e parte do Sudeste do País, típicas da estação. Há ainda a formação de frentes frias e de instabilidades mais para o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, e São Paulo, na região Sudeste.

    O El Niño costeiro deve impactar ainda no aumento de chuva em parte do Sul do Brasil, entre Santa Catarina e o Paraná, parte de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.
    “Por influência do aquecimento do Oceano Pacífico, as temperaturas ficarão acima da média do sudoeste de São Paulo ao nordeste de Minas Gerais, passando pela zona da mata mineira e parte do sul mineiro, e todo o Estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, além do noroeste do Estado de São Paulo”, afirma a Climatempo.

    Já do norte do estado de São Paulo até o noroeste de Minas, a temperatura ficará abaixo da sua climatologia neste outono. Entre o centro do estado de São Paulo e parte do norte de Minas Gerais, os termômetros ficarão dentro da média.

    O último episódio de El Niño foi entre 2015 e 2016, ano mais quente da história, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Os efeitos desse evento climático podem durar até 18 meses.